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	<title>EuroQuadrinhos</title>
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	<description>Blog sobre quadrinhos em geral e quadrinhos europeus em particular.</description>
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		<title>EuroQuadrinhos</title>
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		<title>Disney compra a Marvel</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 01:47:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EuroQuadrinhos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comic]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado de quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícia]]></category>

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		<description><![CDATA[(Desculpem a demora, mas esta notícia teve tantas ramificações nas últimas semanas que o artigo precisou ser reescrito diversas vezes.)
No que é possivelmente a notícia mais importante (e surpreendente) da indústria de quadrinhos este ano, a multinacional de entretenimento Walt Disney Company adquiriu Marvel Entertainment Inc., que inclui a Marvel Comics, por um valor estimado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=59&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div id="attachment_69" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-69" title="Mickey por Jack Kirby" src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2009/10/kirby_mickey.jpg?w=450&#038;h=688" alt="Mickey na visão de um dos &quot;pais&quot; da Marvel, Jack Kirby" width="450" height="688" /><p class="wp-caption-text">Mickey na visão de um dos &quot;pais&quot; da Marvel, Jack Kirby</p></div>
<p style="text-align:justify;">(Desculpem a demora, mas esta notícia teve tantas ramificações nas últimas semanas que o artigo precisou ser reescrito diversas vezes.)</p>
<p style="text-align:justify;">No que é possivelmente a notícia mais importante (e surpreendente) da indústria de quadrinhos este ano, a multinacional de entretenimento Walt Disney Company adquiriu Marvel Entertainment Inc., que inclui a Marvel Comics, por um valor estimado (baseado no preço a ser pago pelas ações da Marvel, que inclui troca de ações da Marvel por ações da Disney) em cerca de quatro <strong>bilhões</strong> de dólares!</p>
<p style="text-align:justify;">Um negócio bastante impressionante por vários fatores. O primeiro e mais óbvio é a soma investida. A Disney está pagando o equivalente a metade do seu lucro anual, uma soma impressionante comparável ao <a title="Confira o Produto Interno Bruto desse país no site da CIA (em inglês)" href="https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/rw.html" target="_blank">Produto Interno Bruto de Ruanda</a>, por uma empresa que no ano passado anunciou um lucro de&#8230; <a title="Relatório de desempenho anual da Marvel para 2008 (em inglês)" href="http://marvel.com/company/pdfs/2008_annual_report.pdf" target="_blank">200 milhões de dólares</a>!</p>
<p style="text-align:justify;">Simples aritmética determina que, para recuperar seu investimento (assumindo que o faturamento da Marvel continue o mesmo), a Disney teria de esperar <strong>20 anos</strong>! Bem, é <strong>óbvio</strong> que a companhia fundada por Walt Disney não comprou a Marvel com o objetivo de recuperar seu investimento em 20 anos, seria ridículo pensar isso! Então qual é a motivação dela?</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-59"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Uma possível resposta está nos recentes resultados dos filmes produzidos por ambas as produtoras. Enquanto a Marvel conseguiu transformar um personagem pouco conhecido (e com poucos fãs&#8230;) dos quadrinhos em um sucesso internacional (Homem de Ferro) e &#8220;ressuscitar&#8221; no cinema um personagem que parecia ter poucas chances de sucesso após um filme anterior absolutamente medíocre (Hulk), a Disney tem visto seus célebres longas de animação mostrarem resultados extremamente insatisfatórios nos últimos anos. A única exceção são as produções da Pixar, companhia que a Disney foi forçada a adquirir para evitar que se tornasse uma concorrente potencialmente destruidora. Essa transação, feita exclusivamente por troca de ações, custou quase o dobro da aquisição da Marvel e ainda transformou o antigo dono da Pixar <a title="Leia mais sobre este magnata da informática na Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Steve_Jobs">Steve Jobs</a> no maior acionista individual da Disney, com 7% das ações (a título de comparação, o próprio Roy Disney detém apenas cerca de 1% das ações da companhia que leva o nome do seu tio). A compra da Pixar foi necessária, já que sem ela a Disney provavelmente perderia a liderança mundial na produção de animações em longa metragem para o cinema, que ela detém desde o nascimento dessa arte. Mas e a Marvel?</p>
<p style="text-align:justify;">Na conferência de imprensa em que foi anunciado o negócio, que pode ser ouvida <a title="O Ministério da Agricultura adverte: O conteúdo desta conferência possui conversa mole o bastante para fazer adormecer todo um rebanho bovino!" href="http://phx.corporate-ir.net/phoenix.zhtml?c=129198&amp;p=IROL-Guestbook&amp;UniqueId=&amp;mp=irol-eventDetails&amp;mpdp=EventId=2413571!WebCastId=906767!StreamId=1359681&amp;pp=IROL-EnhancedWebCast&amp;ppdp=EventId=2413571!WebCastId=906767!StreamId=1359681&amp;pph=540&amp;ppw=788&amp;rdu=&amp;rdt=&amp;upv=2" target="_blank">aqui</a> ou lida <a title="Para quem quer ter a possibilidade de pular a maior parte do papo inútil e ir direto ao que interessa" href="http://www.sec.gov/Archives/edgar/data/933730/000119312509184831/d425.htm">aqui</a> (ambos os links em inglês), os executivos da Disney mencionam repetidamente sua admiração pelo filme do Homem de Ferro, pela capacidade da Marvel em transformar esse personagem obscuro e de poucos admiradores em um grande sucesso e, mais importante, que esperam poder utilizar essa capacidade em processos similares!</p>
<p style="text-align:justify;">Trocando em miúdos, o que a Disney quer mesmo é o pessoal que foi capaz de transformar o praticamente desconhecido Homem de Ferro em um filme de grande sucesso &#8211; e utilizá-lo para tentar tirar as produções não-Pixar da Disney do marasmo. Igualmente importante é retirar um concorrente do jogo.</p>
<p style="text-align:justify;">Sim, a Marvel, tal como a Pixar no passado, era uma <strong>perigosa concorrente em potencial</strong> para a Disney! Devido à sua rápida expansão nas áreas em que esta exerce a maior parte de suas atividades (licenciamento e produção de filmes) e grande potencial de crescimento futuro, a Marvel era uma &#8220;mini-Disney&#8221; em incubação, a <a title="Link para o ranking em inglês das maiores empresas de licenciamento, reparem que os números indicam o faturamento das licanças, não necessariamente das empresas em si" href="http://pwbeat.publishersweekly.com/blog/2009/04/22/marvel-fourth-biggest-brand/">quarta maior empresa de licenciamento do mundo </a>(Disney é a primeira&#8230;), e poderia a longo prazo se tornar um gigante do entretenimento capaz de ameaçar a própria Disney! E é sempre mais fácil comprar um competidor do que simplesmente tentar superá-lo em criatividade&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">A &#8220;biblioteca de 5 mil personagens&#8221; da Marvel (dos quais menos de uma centena são realmente interessantes&#8230;) e seu potencial para licenciamento e adaptação para cinema também influenciaram na decisão, lógico. Ninguém em seu juízo perfeito (bem, exceto Steve Ditko&#8230;) abriria a mão de um Homem-Aranha! Mas no momento as jóias da coroa da Marvel estão comprometidas.</p>
<p style="text-align:justify;">Como assim comprometidas? Bem, no afã de conseguir sair do vermelho no final da década de 90, a Marvel <a title="Artigo detalhado em inglês que fala sobre a situação atual dos personagens Marvel no cinema. Vale a leitura!" href="http://movies.ign.com/articles/101/1019890p1.html">licenciou</a> boa parte de seus personagens, aí incluindo Homem-Aranha, X-Men, Quarteto Fantástico e outros personagens envolvidos nas primeiras produções cinematográficas estreladas pelos heróis Marvel, para uma variedade de estúdios através de contratos <strong>extremamente</strong> desfavoráveis. Não apenas um sucesso do porte de um Homem-Aranha rende pouco à Marvel (até o dinheiro dos sublicenciamentos baseados no filme vai para os bolsos do estúdio!), como os contratos continuam válidos <strong>enquanto os estúdios produzirem filmes desses personagens</strong>! Quer dizer, uma franquia de sucesso como o Homem-Aranha pode ficar nas mãos da Sony por tempo indeterminado, gerando filmes extremamente lucrativos pelos quais a Marvel só recebe uma quantia mínima! Esse será um dilema que a Disney terá de enfrentar durante um bom tempo: Ver os personagens que ela pagou caro para adquirir estrelarem produções de estúdios rivais sem poder fazer nada para impedir. Por outro lado, isto também significa que a Disney tem planos para a Marvel de (muito!) longo prazo&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">(Isso para não falar no potencialmente devastador processo movido pelos herdeiros de Jack Kirby contra a Marvel, visando recuperar os direitos dos personagens criados por aquele autor. Mas eu falarei sobre isso mais detalhadamente em um artigo vindouro.)</p>
<p style="text-align:justify;">Portanto é quase certo que o preço inflacionado pago pela Disney foi menos pelo valor intrínseco da Marvel do que pelo interesse da Disney em absorver a qualquer custo uma concorrente em sua própria estrutura. Sem dúvida o administrador e principal acionista da Marvel, o hábil executivo <a title="Leia mais sobre este surpreendente homem de negócios na Wikipedia em inglês" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Isaac_Perlmutter" target="_blank">Isaac Perlmutter</a>, deve ter sido um fator importante na determinação desse valor, já que ele lutou durante <strong>anos</strong> com os outros acionistas da Marvel para obter o controle desta e não abriria mão dela tão facilmente. Aparentemente a negociação deve lhe render a impressionante soma de <a title="Link para o artigo em inglês com a estimativa do valor recebido por Perlmutter" href="http://www.bleedingcool.com/2009/09/01/isaac-perlmutter-to-make-1500000000-from-marvel-sale-to-disney/" target="_blank">um <strong>bilhão</strong> e meio de dólares</a>, o bastante para lhe colocar na cobiçada <a title="Link para a página em inglês do site da revista Forbes que fala sobre a fortuna de Perlmutter" href="http://www.forbes.com/lists/2009/54/rich-list-09_Isaac-Perlmutter_05WO.html">lista de bilionários da Revista Forbes</a>, <strong>e</strong> ele ainda manterá o cargo de administrador da Marvel! Sem dúvida o melhor negócio de sua vida!</p>
<h2 style="text-align:justify;">Mas e os quadrinhos nisso tudo?</h2>
<p style="text-align:justify;">Vocês devem ter percebido que até agora eu ainda não falei uma linha sobre o assunto que realmente interessa a maior parte dos leitores deste blog: Os quadrinhos da Marvel. Foi intencional! Embora estejam na origem da Marvel, os quadrinhos são hoje uma atividade secundária na empresa, menos rentável que licenciamento ou produção de filmes. Vejam a conferência da Disney que eu postei acima. Embora os executivos da Disney tenham passado cerca de uma hora respondendo questões de acionistas e interessados a respeito da fusão, apenas <strong>uma</strong> delas foi sobre quadrinhos! E o gaguejar do executivo que a respondeu indica claramente que ele não fazia a menor ideia do que dizer (e essencialmente falou apenas a resposta padrão de que eles estavam &#8220;estudando as possibilidades&#8221;). É mais do que óbvio que o pessoal da Disney não tem o mínimo interesse no assunto.</p>
<p style="text-align:justify;">O que pode ser bom, já que significa que o departamento de publicações da Marvel pode não chamar muito a atenção e assim evitar ser sumariamente fechado.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas por que a Disney fecharia o departamento de quadrinhos da Marvel? A <strong>própria</strong> Disney não publica uma grande quantidade de HQs?</p>
<p style="text-align:justify;">Bem, o que pouca gente sabe é que a Disney não publica uma única HQ nos EUA ou na maior parte do mundo. Durante quase toda a existência dos quadrinhos Disney  estes foram produzidos de forma terceirizada, por editoras licenciadas como a Western Publishing (onde trabalhava o grande Carl Barks), Gladstone (onde Don Rosa publicou suas primeiras histórias) e uma variedade de outras editoras, tanto americanas como estrangeiras. Nos EUA, fora as tiras de jornal (produzidas pela Disney mas distribuídas pela <a title="Site do King Features Syndicate, poderoso distribuidor de tiras de jornal dos EUA" href="http://www.kingfeatures.com/">King Features</a>) a Disney só publicou quadrinhos por um curto período de tempo (entre 1990 e 1993), com resultados desastrosos! Depois disso ela parece ter desistido de publicar diretamente. Hoje em dia seus personagens são publicados primariamente pela pequena editora <a title="Link para o site da modesta editora que licencia os personagens Disney atualmente" href="http://www.boom-studios.net/">Boom Studios</a>, embora outras editoras publiquem uma ou outra coisa de quando em quando.</p>
<p style="text-align:justify;">E o que isso significa? Significa que a Disney pode simplesmente fechar o departamento editorial da Marvel e licenciar os personagens para outra editora publicar! A Disney teria lucro do mesmo jeito, sem toda a dor de cabeça envolvida na criação do material. É uma possibilidade bastante forte  e não deve ser desprezada! Segundo diz Jim Shooter <a title="Link para a entrevista de Jim Shooter em inglês, a parte referente ao licenciamento está pouco antes do final" href="http://www.comicbookresources.com/?page=article&amp;id=146" target="_blank">nesta entrevista</a>, a Warner chegou a cogitar fazer isso com a DC Comics no início dos anos 80. Para uma Disney, que <strong>já </strong>faz isso com seus próprios personagens, não seria particularmente difícil&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">As consequências seriam uma redução <strong>brutal </strong>no volume de títulos da Marvel no mercado. Todo mundo gostaria de publicar Homem-Aranha ou X-Men, mas séries de pouco sucesso como Cavaleiro da Lua ou Hércules dificilmente veriam a luz do dia. Para quem acha que a Marvel é mais do que Homem-Aranha/X-Men/Vingadores (e eu considero que as melhores séries da Marvel são as de fora dessas linhas), isso seria uma desgraça.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas também é possível que, ignorando a crise (tanto a mundial quanto a dos quadrinhos) e os custos de manter um departamento editorial, a Disney decida manter a redação Marvel como está agora, talvez até trazendo seus próprios personagens (Mickey, Donald e cia.) para a égide editorial da Marvel. Afinal, a Disney é capaz de publicar quadrinhos quando vê nisso uma atividade lucrativa.</p>
<p style="text-align:justify;">(E não custa recordar que o atual presidente da Disney Bob Iger é sobrinho-neto de <a title="Leia mais sobre essa figura da Era de Ouro dos quadrinhos na Wikipedia em inglês" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jerry_Iger" target="_blank">Jerry Iger</a>, antigo sócio de Will Eisner no estúdio de produção de quadrinhos Eisner &amp; Iger. Vai que ele puxou o seu tio-avô&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;">Por exemplo, na Itália após seu licenciador tradicional, a editora Mondadori, ter sido comprado pelo infame Silvio Berlusconi em 1988, a Disney passou a <a title="Página do site da Disney italiana com informações detalhadas a respeito da publicação de quadrinhos" href="http://www.disney.it/WDI/disneyinitalia/poles/publications/index.htm">publicar diretamente</a> suas HQs &#8211; e mantém-se com sucesso no negócio até hoje. Sinal de que <strong>é</strong> possível para a velha multinacional publicar quadrinhos de forma eficiente.</p>
<p style="text-align:justify;">(Convém mencionar aqui que a Disney não impediu a publicação de seus quadrinhos na Itália durante o governo fascista de Benito Mussolini! Ou seja, pode-se dizer que a Disney preferia até Mussolini a Berlusconi&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;">A filial italiana da Disney também parece ter iniciado uma <a title="Link para um artigo em inglês sobre o assunto" href="http://www.wolfstad.com/dcw/blog/2009/10/disney-digicomics-are-coming/" target="_blank">interessante operação</a> para portar suas HQs para o formato eletrônico, inclusive em inglês para os EUA! Sinal de que a Disney (italiana, pelo menos) acredita no futuro dos quadrinhos.</p>
<p style="text-align:justify;">A Marvel teria uma estrutura de publicação muito mais adequada para os personagens Disney do que a Boom. Por exemplo, sua experiência na área de republicações de material antigo a permitiriam criar coleções de HQs Disney clássicas de autores como Carl Barks e Floyd Gottfredson, algo que uma editora modesta como a Boom teria dificuldade para realizar.</p>
<p style="text-align:justify;">E vale dizer que a Disney possui um potencial inexplorado na área das HQs. Alguns anos atrás ela adquiriu os direitos dos personagens da <a title="Leia mais sobre esta editora na Wikipedia em inglês" href="http://en.wikipedia.org/wiki/CrossGen" target="_blank">finada CrossGen Comics</a>, uma promissora editora de quadrinhos americana surgida no final dos anos 90 que tinha diversos conceitos interessantes mas apostou alto demais e acabou indo à falência. Embora parte do material antigo dessa editora seja hoje republicado pela pequena <a title="Link para o site desta pequena editora de quadrinhos americana" href="http://www.checkerbpg.com/" target="_blank">Checker Publishing</a>, nenhum material novo em quadrinhos com esses personagens tem sido produzido.  O máximo que a Disney fez foi adaptar a série <a title="Leia mais sobre esta série, apontada como o motivo da compra dos personagens da CrossGen pela Disney, no blog do autor, em inglês" href="http://jmdematteis.blogspot.com/2009/10/abadazadagain.html" target="_blank">Abadazad</a> de John Marc DeMatteis como livros infantis, <a title="Leia sobre o fracasso da publicação de Abadazad pela Disney no blog do autor, em inglês" href="http://jmdematteis.blogspot.com/2009/11/into-imaginalis.html" target="_blank">com escasso sucesso</a>. Ora, a Marvel emprega boa parte dos autores que trabalharam na CrossGen (por exemplo o desenhista de Guerra Civil Steve McNiven, que começou sua carreira naquela editora) e poderia &#8220;ressuscitar&#8221; boa parte desse material com facilidade. É algo que a Disney deveria levar em consideração.</p>
<p style="text-align:justify;">Em suma, embora passar a publicar quadrinhos diretamente seja uma empreitada mais arriscada que o licenciamento puro e simples, tem um potencial de sucesso bem maior. Há até quem <a title="Link para um artigo da agência Reuters (em inglês) explorando essa possibilidade" href="http://www.reuters.com/article/innovationNewsTechMediaTelco/idUSTRE5912HK20091002" target="_blank">diga</a> que isso poderia colocar os quadrinhos americanos de volta no gosto popular! Mas isso, obviamente, teria consequências ulteriores.</p>
<h2 style="text-align:justify;">E quanto aos licenciantes já existentes?</h2>
<p style="text-align:justify;">Essa é a questão mais interessante. Fora dos EUA a Marvel na prática é controlada por sua licenciante internacional, a italiana <a title="Link para o site dessa multinacional editorial" href="http://www.paninicomics.com/" target="_blank">Panini Comics</a>, devido a contratos bastante favoráveis à empresa italiana feitos quando esta era ainda uma divisão da própria Marvel (entre 1994 e 1999). Por inércia a Marvel tem mantido esse <em>status quo</em>, já que a editora americana não parece ter muito interesse no que se passa fora das fronteiras do seu país. A Panini soube explorar muito bem esse trunfo, expandindo-se para uma série de países e dominando o mercado de quadrinhos em alguns deles, o Brasil por exemplo.</p>
<p style="text-align:justify;">A Disney, por outro lado, toma bastante cuidado com seu licenciamento internacional &#8211; uma de suas grandes fontes de lucros! No caso dos quadrinhos, ela trabalha, geralmente há muitas <strong>décadas</strong>, com gigantes editoriais <strong>bem</strong> maiores que a Panini (como a Abril no Brasil, a Hachette na França e a Egmont na maior parte do norte da Europa). E na Itália, talvez o melhor cliente internacional tanto para as HQs Disney quanto as da Marvel, ela compete <strong>diretamente</strong> com a Panini!</p>
<p style="text-align:justify;">Claramente isso não deve continuar assim por muito tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Boa parte dos licenciantes internacionais das HQs Disney não se incomodaria de publicar também o material da Marvel, nem que fosse para anular a própria Panini, uma concorrente perigosa em vários desses mercados. A Disney italiana com certeza <strong>adoraria</strong> remover essa concorrente incômoda de uma vez por todas &#8211; e isso seria bastante simples, bastaria não renovar o contrato de licenciamento da Marvel quando este vencesse. As consequências seriam terríveis para a editora italiana!</p>
<p style="text-align:justify;">(Vale adicionar aqui que os personagens da DC Comics, que a Panini também licencia &#8211; ainda que não exclusivamente como a Marvel &#8211; em boa parte do mundo, costumam vender <strong>muito</strong> menos que os da Marvel em todos os países, sem exceções. Os fãs que me desculpem, mas eles não seriam a tábua de salvação da Panini&#8230;)</p>
<p style="text-align:justify;">Por outro lado isso poderia ser positivo para o quadrinho brasileiro, já que sem a Marvel a Panini poderia tentar competir com a Disney em escala mundial usando&#8230; A Turma da Mônica! Seria essa a única esperança para a editora italiana se ela fosse realmente privada dos personagens Marvel? Difícil dizer, mas seria muito interessante de se ver.</p>
<p style="text-align:justify;">A falta de material também poderia impelir a editora italiana a licenciar &#8211; ou até <strong>produzir </strong>- mais quadrinhos, inclusive europeus (que afinal são o principal tema deste blog!), o que ajudaria a dinamizar o mercado de quadrinhos no ocidente, sempre algo positivo.</p>
<p style="text-align:justify;">Em suma, embora seja cedo para dizer quais serão as reais consequências desse negócio (ou mesmo se ele será fechado, o que ainda não é uma certeza absoluta) para a indústria de quadrinhos, é provável que ele afete consideravelmente os mercados de quadrinhos tanto na Europa quanto no Brasil, o que mais do que justifica esta análise detalhada.</p>
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		<title>Fui no lançamento do novo Asterix!</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 02:21:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EuroQuadrinhos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Evento]]></category>
		<category><![CDATA[Franco-belga]]></category>

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		<description><![CDATA[Na noite do dia 21 para o dia 22 de Outubro aconteceu o lançamento mundial do novo álbum de Asterix, O aniversário de Asterix e Obelix, o livro de ouro.

O evento foi celebrado nos dezoito países em que o álbum foi publicado simultaneamente, com a impressionante tiragem total de 3,5 milhões de exemplares. Portugal é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=79&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Na noite do dia 21 para o dia 22 de Outubro aconteceu o lançamento mundial do novo álbum de Asterix, <em>O aniversário de Asterix e Obelix, o livro de ouro</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_80" class="wp-caption aligncenter" style="width: 319px"><img class="size-full wp-image-80" title="Asterix - 50 anos" src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2009/10/asterix-50-anos.jpg?w=309&#038;h=400" alt="A bela capa do novo álbum de Asterix" width="309" height="400" /><p class="wp-caption-text">A bela capa do novo álbum de Asterix</p></div>
<p style="text-align:justify;">O evento foi celebrado nos dezoito países em que o álbum foi publicado simultaneamente, com a impressionante tiragem total de 3,5 milhões de exemplares. Portugal é um deles (a tiragem lusa é de 60 mil exemplares, número bastante alto para o país). Fã incondicional da série, decidi desbravar a chuva forte que caía sobre Lisboa para participar do lançamento do álbum. O que eu não faço por um Asterix!</p>
<p style="text-align:justify;">Ao chegar ao local do lançamento (a livraria FNAC do Centro Comercial Colombo, para os curiosos), notava-se logo a decoração temática, com direito até à presença dos próprios Asterix e Obelix (atores fantasiados, claro). Nada menos que duas emissoras de TV estavam cobrindo o evento, a estatal RTP e a privada TVI! Curiosamente no mesmo local se realizara poucas horas antes um acontecimento que se revelou menos mediático&#8230; O lançamento do Windows 7! Melhor sorte da próxima vez, Bill Gates&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Na palestra estavam presentes a editora de quadrinhos da Asa <strong>Maria José Magalhães Pereira</strong>, o jornalista especializado <strong>Carlos Pessoa</strong> e o filho do primeiro editor de Asterix (e de Tintim) no país, <strong><a title="Mais sobre este notável escritor, jornalista e editor de quadrinhos pioneiro na Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adolfo_Sim%C3%B5es_M%C3%BCller">Adolfo Simões Müller</a></strong>. Este visionário editor (que completaria 100 anos em 2009) foi o responsável por Portugal ter sido o <strong>primeiro</strong> país do mundo a traduzir Asterix (e, novamente, Tintim!), portanto a presença do seu filho no evento foi bastante simbólica. A palestra centrou-se no tema da tradução dos nomes dos personagens da série, polêmica recorrente em Portugal desde que a prática se iniciou, na passagem da série para a égide editorial da Asa. Algo de  interesse limitado para os leitores deste blog.</p>
<p style="text-align:justify;">Então vamos ao que realmente interessa: O álbum em si!</p>
<p style="text-align:justify;">Esta é, como prometido, uma coleção de histórias curtas e ilustrações, efetivamente recolhendo todo o material &#8220;de arquivo&#8221; que ainda sobrava do personagem. Há até um divertidíssimo texto de <strong>René Goscinny</strong> (devidamente ilustrado por <strong>Albert Uderzo</strong>, que continua um desenhista de talento inquestionável) sobre as férias na Gália, que apesar de seus mais de 40 anos de idade mantém a verve cômica do escritor original da série. Lamentavelmente é o único material dele presente no álbum.</p>
<p style="text-align:justify;">Este abre com uma ótima sequência inédita mostrando Asterix e Obelix cinquenta anos mais velhos, em referência ao cinquentenário dos personagens comemorado pelo álbum. A visão dos gauleses envelhecidos é bem mais engraçada do que parece à primeira vista e a sequência termina com uma divertida participação especial do autor Uderzo, que tem um certo tom de despedida.</p>
<p style="text-align:justify;">Tom este também presente nos prefácios assinados por &#8220;Asterix&#8221; (certamente o próprio Uderzo, um tanto auto-congratulatório demais para o meu gosto) e Anne Goscinny, que derrete-se em elogios ao colega de seu pai e nas sequências de ligação entre as várias histórias do álbum. Que são, por sinal, o seu principal problema.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao invés de colocar as histórias separadamente, como em <em>Asterix e a volta às aulas</em> (<em>Asterix e o regresso dos gauleses</em>, na edição portuguesa), Uderzo decidiu ligar as histórias (e até as várias ilustrações, que correspondem a cerca de metade do conteúdo do álbum) com um fio condutor narrativo extremamente tênue. Isso não favorece o material e acaba resultando em um todo inferior à soma das partes. O que é uma pena, porque algumas partes são excelentes.</p>
<p style="text-align:justify;">Vale destacar, por exemplo, uma história curta que mostra Obelix tentando aprender a ler (publicada anteriormente na revista literária francesa Lire), os &#8220;erros de gravação&#8221; do álbum <em>Asterix e Latraviata</em> (sinceramente bem melhores que o álbum em si&#8230;) e até uma série de pinturas de Asterix parodiando obras de arte clássicas, curiosamente similar a uma iniciativa mais antiga de Mauricio de Sousa, <em><a title="Link para a página desse trabalho no site da Mônica" href="http://www.monica.com.br/quadroes/welcome.htm" target="_blank">História em quadrões</a></em>! O resultado ficou melhor que o do Mauricio (não há como negar que Uderzo é um desenhista mais habilidoso), mas não soa muito original para quem já viu o trabalho do autor brasileiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Curiosamente o álbum fecha com uma história curta que mostra a única piada escatológica dos cinquenta anos da série. Penso que Asterix poderia ter ficado sem isso, mas se for verdade que Christophe Arleston será realmente o sucessor de Uderzo nos argumentos, isso é algo com que os leitores terão de se acostumar&#8230;</p>
<p>No final, Uderzo até agradece a seus assistentes <strong>Régis Grébent</strong> e os irmãos <strong>Frédéric</strong> e <strong>Thierry Mébarki</strong> (os mesmos que nomeou como sucessores em uma <a title="Link para a entrevista em francês" href="http://www.lejdd.fr/Culture/Livres/Actualite/Uderzo-Il-doit-vivre-apres-moi-143066/" target="_blank">entrevista recente</a> para o Journal du Dimanche), algo bastante raro entre autores de quadrinhos. Uma iniciativa louvável!</p>
<p style="text-align:justify;">Enfim, como eu disse o resultado é inferior à soma das partes. Eu considero que o álbum vale a compra, é certamente superior ao muito criticado volume anterior e possui várias gemas escondidas entre suas páginas, mas é um álbum de altos e baixo, prejudicado pela tentativa de Uderzo de &#8220;amarrar&#8221; tudo à força. O que, de certa forma, faz dele o final apropriado para o período &#8220;solo&#8221; de Uderzo na série.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Fotos do evento a serem adicionadas mais tarde. Estou cansado e quero dormir!</em></p>
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			<media:title type="html">Asterix - 50 anos</media:title>
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		<title>Estamos de volta!</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Sep 2009 11:55:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EuroQuadrinhos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autor]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem é vivo sempre aparece!
Ainda não pude criar um novo blog, mas uma série de eventos abalou o mercado de quadrinhos mundial nos últimos dias e seria inconcebível que eu não os comentasse por aqui, portanto estou tirando a poeira do velho blog para tentar ajudar a mostrar as consequências desses eventos para o público.
Os [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=51&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div id="attachment_54" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-54 " title="Renascido dos Mortos" src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2009/09/green12-zombie-hand-0409-10162228.jpg?w=300&#038;h=300" alt="Estou vivo! VIVOOOOOO!!!!" width="300" height="300" /><p class="wp-caption-text">Estou vivo! VIVOOOOOO!!!!</p></div>
<p>Quem é vivo sempre aparece!</p>
<p>Ainda não pude criar um novo blog, mas uma série de eventos abalou o mercado de quadrinhos mundial nos últimos dias e seria inconcebível que eu não os comentasse por aqui, portanto estou tirando a poeira do velho blog para tentar ajudar a mostrar as consequências desses eventos para o público.</p>
<p>Os eventos em questão foram:</p>
<p><a title="Link para o artigo" href="http://euroquadrinhos.wordpress.com/2009/11/15/disney-compra-a-marvel/" target="_blank">A anunciada aquisição da Marvel Comics pela Walt Disney Company</a></p>
<p>A entrada das editoras japonesas Shueisha e Shogakukan no mercado europeu através da Viz Europe</p>
<p>A criação da Kodansha Comics nos EUA, colocando a terceira grande editora japonesa no mercado de quadrinhos americano</p>
<p>Todos são eventos significativos que provocarão enormes mudanças no mercado de quadrinhos mundial nos meses e anos que virão. Nos próximos dias eu dedicarei um artigo a cada uma delas explicando o mais detalhadamente possível como cada um desses eventos afetará o mercado de quadrinhos e quais as consequências para o mercado brasileiro.</p>
<p>É bom estar de volta, espero que meus leitores (sobrou algum?) pensem o mesmo.</p>
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			<media:title type="html">Renascido dos Mortos</media:title>
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		<title>O futuro deste blog (ou O blog não morreu, apenas hiberna)</title>
		<link>http://euroquadrinhos.wordpress.com/2008/03/27/o-futuro-deste-blog-ou-o-blog-nao-morreu-apenas-hiberna/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Mar 2008 23:35:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EuroQuadrinhos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autor]]></category>
		<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<category><![CDATA[mensagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Muita gente tem me perguntado se eu não pretendo continuar este blog, acho que os devo um esclarecimento.
Eu comecei este blog porque queria (e quero) divulgar quadrinhos de origem européia para o público brasileiro, que infelizmente ainda tem um conhecimento muito restrito da enorme gama de material disponível no Velho Continente. Além disso, queria um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=43&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Muita gente tem me perguntado se eu não pretendo continuar este blog, acho que os devo um esclarecimento.</p>
<p>Eu comecei este blog porque queria (e quero) divulgar quadrinhos de origem européia para o público brasileiro, que infelizmente ainda tem um conhecimento muito restrito da enorme gama de material disponível no Velho Continente. Além disso, queria um lugar para colocar meus escritos sobre quadrinhos, que geralmente ficam esquecidos em fórums ou listas de mensagens, onde eu pudesse ter algum controle sobre meus textos e garantia de que eles não seriam apagados, de que eu pudesse efetuar correções e atualizações, etc.</p>
<p>Tudo muito belo, a questão é que desde então eu comecei a fazer alguns trabalhos escritos PAGOS, traduções e a desenvolver o meu livro sobre o Tintim (que ainda está beeeeeem no início, caso estejam se perguntando), atividades que reduziram meu tempo livre, já bastante escasso devido a meu emprego regular (que, infelizmente, não tem nada a ver com HQs), quase a zero. Nessa situação, eu poderia deixar de lado minha leitura de quadrinhos ou o trabalho não remunerado, ou seja, este blog. A escolha é óbvia.</p>
<p>Mas esse não é o fim! Eu ainda POSSO transformar minha atividade no blog em algo remunerado (ainda que pouco) utilizando anúncios! Ou poderia SE o WordPress me deixasse, o que não é o caso. Para colocar anúncios eu tenho de hospedar meu blog em outro provedor, o que não posso fazer no momento.</p>
<p>No momento? Sim, porque eu devo mudar de residência em pouco tempo (um mês ou coisa assim) e, no processo, mudar para um outro provedor de Internet, que VAI me fornecer um espaço onde posso colocar um blog com quantos anúncios eu bem entender! <b>AÍ</b> eu vou poder transformar isso em uma atividade (moderadamente) remunerada e justificar o tempo que eu gasto escrevendo estes artigos.</p>
<p>Claro que isso não é para agora. Mudar de casa não é uma coisa facil e eu ainda terei de conciliar isso com minhas outras atividades (relacionadas acima), o que deve adiar o lançamento da versão 2.0 do blog. Mas ela virá, acreditem em mim!</p>
<p>Afinal, vocês não vão se livrar de mim assim tão facilmente&#8230;</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/euroquadrinhos.wordpress.com/43/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/euroquadrinhos.wordpress.com/43/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/euroquadrinhos.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/euroquadrinhos.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/euroquadrinhos.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/euroquadrinhos.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/euroquadrinhos.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/euroquadrinhos.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/euroquadrinhos.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/euroquadrinhos.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/euroquadrinhos.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/euroquadrinhos.wordpress.com/43/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=43&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Mike Wieringo 1963-2007</title>
		<link>http://euroquadrinhos.wordpress.com/2007/08/13/mike-wieringo-1963-2007/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 Aug 2007 21:50:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EuroQuadrinhos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autor]]></category>
		<category><![CDATA[Notícia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, dia 12 de agosto, faleceu subitamente o desenhista Mike Wieringo, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Ele tinha apenas 44 anos de idade.

Nascido em Veneza, Itália, mas um cidadão norte-americano, Wieringo, como a maior parte dos artistas de quadrinhos de seu país, ganhou fama trabalhando em quadrinhos de super-herói, começando com a série do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=33&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Ontem, dia 12 de agosto, <a title="Link para a not�cia da morte dele no site de not�cias Newsarama, em inglês" href="http://www.newsarama.com/Chicago_07/Ringo.html" target="_blank">faleceu subitamente</a> o desenhista <strong>Mike Wieringo</strong>, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Ele tinha apenas 44 anos de idade.</p>
<p><img src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/11/mike-wieringo.jpg" alt="Mike Wieringo fazendo o que gostava mais, desenhar!" /></p>
<p>Nascido em Veneza, Itália, mas um cidadão norte-americano, Wieringo, como a maior parte dos artistas de quadrinhos de seu país, ganhou fama trabalhando em quadrinhos de super-herói, começando com a série do <em>Flash </em>- onde foi o criador visual do personagem <em>Impulso</em>, que ironicamente foi &#8220;morto&#8221; nas páginas de sua revista poucas semanas atrás &#8211; e seguindo depois para personagens como o <em>Super-Homem</em>, o <em>Homem-Aranha</em> (no qual trabalhou em parceria com seu melhor amigo, o escritor <strong>Todd DeZago</strong>) e o <em>Quarteto Fantástico</em>. Aliás seu último trabalho é exatamente uma mini-série com um encontro entre o Quarteto e o Aranha, escrita pelo jovem e talentoso escritor <a title="Site do autor" href="http://www.parkerspace.com/" target="_blank">Jeff Parker</a>.</p>
<p><img src="http://www.marvel.com/comics/onsale/covers/1007/smff.jpg" alt="Capa da encadernação do último trabalho de Wieringo, cujo lançamento está previsto para outubro nos EUA" width="550" height="835" align="middle" /></p>
<p>Dono de um estilo energético e caricatural, Wieringo trabalhava em uma indústria de quadrinhos completamente inadequada para seus talentos. Seu estilo não fora talhado para retratar os rompantes de violência e a atitude exageradamente séria dos quadrinhos de super-herói modernos. Embora os outros artistas e os leitores mais iluminados admirassem seu óbvio talento, boa parte dos fãs criticava sua &#8220;falta de realismo&#8221; e &#8220;excessos caricaturais&#8221; (obviamente, personagens que voam por aí usando a cueca por cima da calça <strong>precisam</strong> ser mostrados da forma mais realista possível&#8230;). Esse paradoxo fez com que os períodos de Wieringo em títulos de ponta de super-heróis fossem relativamente curtos e espaçados.</p>
<p><img src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/08/imagem22-1.gif" alt="Espetacular GIF animada mostrando os vários uniformes do Homem-Aranha desenhados por Mike Wieringo!" /></p>
<p>Em um dos intervalos, ele e seu amigo DeZago decidiram escapar do círculo vicioso dos super-heróis e criar uma série de fantasia para a <strong>Image Comics</strong>, <em>Tellos</em>. E é sobre este trabalho, ainda inédito em português, que eu falarei.</p>
<p><img src="http://ublib.buffalo.edu/lml/comics/pages/images/tellos.jpg" alt="Uma das capas de Wieringo para a série original de Tellos" width="497" height="768" align="middle" /></p>
<p>Tellos era, na aparência, uma série de fantasia perfeitamente convencional. Passada no mundo ficcional de Tellos (um mundo de fantasia clássico, com criaturas estranhas, navios voadores e tecnologia medieval), mostrava as aventuras de um garoto e seus amigos, um híbrido de tigre e humano e uma capitã pirata, que encontram um amuleto contendo um poderoso gênio. Porém esse amuleto é cobiçado por vilões inescrupulosos, que vão atrás dos heróis para se apoderar do referido amuleto.</p>
<p><img src="http://heroes.chez-alice.fr/d-talks/images/tellos1.jpg" alt="Quadrinho da edição francesa de Tellos. Ironicamente, essa HQ fez muito mais sucesso na França do que em seu pa�s de origem!" width="300" height="332" align="middle" /></p>
<p>Dito assim, parece a mais estereotipada série de fantasia possível (não que existam muitas dessas &#8211; ou mesmo <strong>UMA</strong> que seja! &#8211; no mercado de quadrinhos americano&#8230;), <strong>mas</strong> uma reviravolta inesperada próximo do final da série original recoloca toda a história em uma perspectiva diferente. Não entrarei em detalhes, claro, mas a série revela-se bem mais interessante do que parece a princípio! Toda a série original desenhada por Wieringo foi recentemente compilada nos EUA em um grande volume em capa dura, que porém ainda não fora posto à venda antes da morte do artista. Fica meu conselho para aqueles que não conhecem esse trabalho o adquirirem quando estiver disponível.</p>
<p><img src="http://images.comicbookresources.com/ofo/wieringo/Tellos-hardcover.jpg" alt="Capa da encadernação gigante de Tellos" width="600" height="396" align="middle" /></p>
<p>Infelizmente, a revista não teve muita sorte. Durante sua publicação, DeZago e Wieringo resolveram se juntar a um grupo de autores capitaneado por <strong>Kurt Busiek</strong> e <strong>Mark Waid</strong>, que tinham decidido criar seu próprio selo de quadrinhos (um pouco nos moldes da Image original e dos extintos selos <strong>Legend </strong>da <a title="Site da editora" href="http://www.darkhorse.com/index.php" target="_blank">Dark Horse</a> e <strong>Bravura</strong> da <strong>Malibu Comics</strong>) , o <strong>Gorilla Comics</strong>, lançado com grande fanfarra em 2000. Porém, os autores esperavam um financiamento externo que nunca veio e seu pesado investimento inicial em publicidade teve de ser pago pelos próprios autores. Tellos, até entao uma HQ lucrativa, entrou no vermelho e os dois criadores precisaram fechar a série inicial e correr atrás de trabalhos na Marvel e DC para pagar o prejuízo! Eventualmente ela retornou, novamente pela Image, mas o envolvimento de Wieringo foi reduzido a ocasionais capas e histórias curtas. A série, porém, era uma favorita do artista, que nunca escondeu sua vontade de voltar a trabalhar nela. Foi exatamente um desenho de Tellos o último trabalho que ele colocou em seu <a title="Blog do autor" href="http://www.mikewieringo.com/" target="_blank">blog</a>, dois dias antes de sua morte.</p>
<div id="attachment_46" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2008/10/jareksolo.jpg"><img class="size-full wp-image-46" title="jareksolo" src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2008/10/jareksolo.jpg" alt="" width="500" height="663" /></a><p class="wp-caption-text">O último desenho do blog de Wieringo, retratando o protagonista de Tellos.</p></div>
<p>Apesar  de fulgurante, a carreira de Wieringo foi demasiado curta. Seu primeiro trabalho profissional data de 1991, fazendo dele um dos raros desenhistas de quadrinhos a iniciar sua carreira depois dos 25 anos. Apesar disso, existe um excelente livro em inglês a respeito do artista, que detalha toda sua carreira em uma longa entrevista, ricamente ilustrada com muitos dos seus melhores desenhos. É o 9º volume da série <a title="Link para a publicação" href="http://twomorrows.com/index.php?main_page=product_info&amp;cPath=70&amp;products_id=398" target="_blank">Modern Masters</a>, da sensacional editora norte-americana <a title="Site da editora" href="http://twomorrows.com/" target="_blank">TwoMorrows Publishing</a>, minha recomendação pessoal para os apreciadores deste artista de carreira tão brilhante quanto fugaz.</p>
<p><img src="http://twomorrows.com/images/large/books/09_LRG.jpg" alt="Capa da edição dedicada a Mike Wieringo" width="350" height="453" align="middle" /></p>
<p>Descanse em paz, Mike Wieringo.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/euroquadrinhos.wordpress.com/33/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/euroquadrinhos.wordpress.com/33/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/euroquadrinhos.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/euroquadrinhos.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/euroquadrinhos.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/euroquadrinhos.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/euroquadrinhos.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/euroquadrinhos.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/euroquadrinhos.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/euroquadrinhos.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/euroquadrinhos.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/euroquadrinhos.wordpress.com/33/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=33&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">EuroQuadrinhos</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/11/mike-wieringo.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Mike Wieringo fazendo o que gostava mais, desenhar!</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://www.marvel.com/comics/onsale/covers/1007/smff.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Capa da encadernação do último trabalho de Wieringo, cujo lançamento está previsto para outubro nos EUA</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/08/imagem22-1.gif" medium="image">
			<media:title type="html">Espetacular GIF animada mostrando os vários uniformes do Homem-Aranha desenhados por Mike Wieringo!</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://ublib.buffalo.edu/lml/comics/pages/images/tellos.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Uma das capas de Wieringo para a série original de Tellos</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://heroes.chez-alice.fr/d-talks/images/tellos1.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Quadrinho da edição francesa de Tellos. Ironicamente, essa HQ fez muito mais sucesso na França do que em seu pa�s de origem!</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://images.comicbookresources.com/ofo/wieringo/Tellos-hardcover.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Capa da encadernação gigante de Tellos</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2008/10/jareksolo.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">jareksolo</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://twomorrows.com/images/large/books/09_LRG.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Capa da edição dedicada a Mike Wieringo</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Tintim no País do Racismo?</title>
		<link>http://euroquadrinhos.wordpress.com/2007/07/17/tintim-no-pais-do-racismo/</link>
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		<pubDate>Tue, 17 Jul 2007 00:22:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EuroQuadrinhos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Franco-belga]]></category>
		<category><![CDATA[Notícia]]></category>

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		<description><![CDATA[É, as atualizações deste blog continuam raras. Mea culpa! Porém uma notícia recente arrancou-me do meu imobilismo. O velho álbum Tintim no Congo* (Tintim na África na antiga edição brasileira da Record) foi alvo de uma virulenta crítica pela CRE (Comission for Racial Equality &#8211; Comissão pela Igualdade Racial do Reino Unido), instituição pública inglesa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=32&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>É, as atualizações deste blog continuam raras. <i>Mea culpa!</i> Porém uma notícia recente arrancou-me do meu imobilismo. O velho álbum <i>Tintim no Congo</i>* (<i>Tintim na África</i> na antiga edição brasileira da Record) foi alvo de uma <a href="http://www.cre.gov.uk/Default.aspx.LocID-0hgnew0vq.RefLocID-0hg00900c002.Lang-EN.htm" title="Comunicado original da CRE, em inglês" target="_blank">virulenta crítica</a> pela <a href="http://www.cre.gov.uk/index.html" title="Site da instituição" target="_blank">CRE</a> (Comission for Racial Equality &#8211; Comissão pela Igualdade Racial do Reino Unido), instituição pública inglesa que combate a discriminação racial. O comunicado diz que a HQ contém &#8220;imagens e textos de horrendo preconceito racial&#8221; e que ela não deveria ser vendida e sim &#8220;ser exposta em um museu, com um grande cartaz dizendo &#8216;velho lixo racista&#8217;&#8221;. A CRE afirma que o comunicado foi emitido a pedido de um homem que vira o álbum à venda em uma livraria e teria ficado profundamente ofendido com ele.</p>
<p><img src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/7/72/TinTin_Congo.jpg" alt="Capa do álbum que gerou toda a polêmica" align="middle" height="600" width="434" /></p>
<p>O comunicado gerou dois resultados: A cadeia de livrarias onde estava sendo vendido o álbum em questão, <a href="http://www.bordersstores.com/index.jsp" title="Sita da livraria" target="_blank">Borders</a>, o transferiu da seção infantil onde estava para a de material adulto e as vendas do álbum dispararam por todo o Reino Unido, <a href="http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2007/07/14/ntintin114.xml" title="Nota do jornal Daily Telegraph a respeito do acontecimento, em inglês" target="_blank">subindo cerca de 3.800%</a>!</p>
<p>Os Studios Hergé, donos dos direitos do personagem, <a href="http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/070713/entretenimento/b__lgica_gb_usa_edi____o_1" title="Nota com as declarações do porta-voz do Studio" target="_blank">responderam </a>usando a argumentação tradicional, de que o álbum é um produto de seu tempo, que Hergé admitia ser fruto de sua mentalidade da época, mas o mantinha quase inalterado para servir como &#8220;testemunho de sua época&#8221;. Pierre Assouline, biógrafo de Hergé, também defendeu o álbum em seu <a href="http://passouline.blog.lemonde.fr/2007/07/12/" title="Link para o blog do autor, em francês" target="_blank">blog</a> no jornal Le Monde, com uma argumentação similar.</p>
<p>A polêmica envolvendo a HQ é bastante antiga.  Ela foi a segunda aventura de Tintim, publicada entre 5 de junho de 1930 e 11 de junho de 1931 no semanário belga <i>Le Petit Vingtième</i>, de ideologia católica fortemente conservadora. Curiosamente, o autor Hergé não queria mandar seu personagem para uma aventura africana e sim para os EUA (o que faria na aventura seguinte), mas foi obrigado a isso pelo diretor do semanário, o abade Wallez, que desejava convencer os jovens leitores da validade da colonização belga do país africano.</p>
<p>Nunca tendo saído da Bélgica, Hergé procurou documentação para retratar o Congo. Porém, tal como no álbum anterior e no seguinte, suas fontes não foram particularmente boas, pois o resultado foi uma visão demasiado estereotipada da África. Hergé mais tarde admitiria que sua visão dos africanos fora influenciada pela crença corrente na época de que os negros eram como crianças ingênuas, que precisavam da &#8220;sabedoria&#8221; dos brancos. Esse paternalismo está por todo o álbum que, ao considerar os africanos como ingênuos, revela-se ele próprio fruto de uma visão bastante ingênua, que era a de Hergé na época.</p>
<p>Vale dizer que o álbum pode ser paternalista, mas não é realmente <b>racista</b>. Em nenhum momento o álbum (ou o personagem) demonstra ódio contra os nativos! Ele os mostra em geral como figuras simpáticas, ainda que algo dependentes de Tintim. O que, na verdade, não é muito diferente dos personagens dos outros álbuns da série, uma vez que Tintim, herói perfeito por natureza, tendia sempre a ajudar aqueles que encontrava pela frente. Se isso é uma visão racista, então Tintim é racista com todo o mundo que encontra!</p>
<p>A forma com que os negros são retratados, com as feições exageradas das caricaturas da época e falando um francês capenga, também é similar à forma como eles eram retratados nos quadrinhos daquele tempo. Por exemplo, nas primeiras tiras de jornal do Mickey, escritas pelo próprio Walt Disney, o famoso camundongo vai parar em uma ilha distante habitada por canibais que eram retratados da mesmíssima maneira. A única diferença é que Hergé nunca teve o mau gosto de retratar negros como canibais&#8230;</p>
<p><img src="http://bobcat74.free.fr/mmds/cannbls/mm300213.gif" alt="Por que Walt Disney não é chamado de racista?" align="middle" height="328" width="1200" /></p>
<p>Também vale notar que Hergé desenhava <b>todos</b> os seus personagens, independentemente da origem, de forma caricatural.</p>
<p>Na sua versão original em preto e branco, a HQ era sim fortemente colonialista. Mas em 1946, quando Hergé redesenhou a aventura para a nova versão a cores (que é a mais conhecida hoje em dia), ele retirou boa parte das referências coloniais. Porém não &#8220;pasteurizou&#8221; o álbum, mantendo o paternalismo e a violência contra os animais presentes na versão original.</p>
<p><img src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2008/03/l400xh373_tintin_au_congo-65e47.jpg" alt="Na versão original, Tintim mostra a seus alunos nativos sua “pátria”, a Bégica. Na versão colorida, a cena foi “suavizada” para uma simples lição de aritmética." align="middle" /></p>
<p>Por sinal, essa violência contra animais presente por todo o álbum é muito mais chocante que o paternalismo de Tintim. Ou pelo menos o foi para mim quando li a HQ pela primeira vez na infância. Tintim mata indiscriminadamente macacos, elefantes e, em uma cena inspirada em um livro de <b>André Maurois</b>, toda uma manada de antílopes! A associações de defesa dos animais têm muito mais do que se queixar deste álbum do que as de combate ao racismo!</p>
<p><img src="http://www.coinbd.com/images/planches/tintin_t1.jpg" alt="Tintim pratica tiro ao alvo com um crocodilo em uma das cenas menos violentas do álbum" align="middle" height="682" width="500" /></p>
<p>Ele chega ao requinte de <b>explodir um rinoceronte com dinamite</b>! Sério! Isso foi demais para a editora Egmont, que publica o personagem na Escandinávia e no Reino Unido e pediu para Hergé fazer uma versão menos violenta do encontro com o animal, que está presente nas edições desses países (todas as de língua portuguesa até hoje mantiveram a cena original).</p>
<p><img src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/10/rhino.jpg" alt="Tomado por um inexplicável furor terrorista, Tintim explode um pobre rinoceronte inocente, que nunca soube o que lhe atingiu!" /></p>
<p>Toda a polêmica que gira em torno do álbum há anos fez com que sua publicação em francês fosse interrompida em finais dos anos 50. Durante mais de 10 anos o álbum juntou-se ao então lendário <i>Tintim no País dos Sovietes</i> no limbo dos quadrinhos. Ironicamente, ele voltou a ser publicado por iniciativa de uma revista&#8230; Do próprio Congo** (já independente, na altura chamado Zaire)! Esta fez diversos elogios à obra em suas páginas no início dos anos 70, estimulando a republicação do álbum por todo o mundo.</p>
<p><img src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/fr/thumb/b/b1/Tintin_in_Congo.jpg/450px-Tintin_in_Congo.jpg" alt="Artesanato congolês inspirado em Tintim" align="middle" height="600" width="450" /></p>
<p>Todo? Não! Uma pequena aldeia inglesa continuou resistindo! Os ingleses ainda rejeitaram uma edição britânica do álbum por muitos anos, até finalmente cederem em 1991 (!), curiosamente publicando um fac-símile da edição original em P&amp;B do álbum, ainda com todo seu ranço colonialista intacto.</p>
<p><img src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/3/3d/TintinCongo.jpg" alt="Capa da primeira edição inglesa, em P&amp;B" align="middle" height="500" width="315" /></p>
<p>Somente em 2005 a editora inglesa Egmont cedeu ao apelo dos fãs e aceitou publicar a edição colorida, que recebeu uma cautelosa introdução de autoria dos tradutores explicando o contexto do álbum para evitar polêmicas racistas. Infelizmente não parece ter resultado. Ainda assim, a primeira tiragem de 30 mil exemplares foi vendida rapidamente, mais uma vez confirmando o duradouro sucesso do personagem com o público!</p>
<p>Ironicamente, o ataque do CRE parece ter apenas aumentado ainda mais o interesse deste pelo álbum. Nos poucos dias passados desde a emissão do comunicado, a instituição recebeu críticas por todos os lados, enquanto o álbum foi defendido como um clássico da literatura que exprime o pensamento de sua época, por mais equivocado que fosse. O que é um tipo de valorização que Tintim <b>nunca</b> tivera antes em um país de língua inglesa! Os detratores da série podem ter conseguido então o que os esforços de décadas de Hergé e seus sucessores nunca conseguiram: Popularizar Tintim nos países anglo-saxônicos!</p>
<p>Uma crítica muito mais eficiente à história foi feita recentemente por <a href="http://www.pastis.org/joann/" title="Site do autor" target="_blank">Joann Sfar</a>. No quinto álbum de sua famosa série <i>O Gato do Rabino</i> (editada no Brasil pela <a href="http://www.zahar.com.br/default.asp" title="Site da editora" target="_blank">Jorge Zahar</a>, atualmente no segundo volume), <i>Jerusalém da África</i>, Sfar inclui uma aparição relâmpago do jornalista belga, mostrado como um chatíssimo branco com mania de dar lições de moral para todas as pessoas que vê pela frente e atirar em todos os animais que se mexem. A hilária sequência é muito mais devastadora para essa aventura de Tintim do que a censura de uma instituição pública que acaba se revelando muito mais paternalista que a obra que pretende criticar.</p>
<p>* Convém mencionar que a <a href="http://www.companhiadasletras.com.br/" title="Site da editora" target="_blank">Companhia das Letras</a>, atual editora da série no Brasil, já anunciou que sua nova edição do álbum utilizará realmente o título <i>Tintim no Congo</i>, tradução literal do título original, ao invés da mais tradicional tradução brasileira <i>Tintim na África</i>, utilizada na antiga edição da Record. A história também já foi conhecida pelo título <i>Tim-Tim em Angola</i> quando de sua primeira publicação em língua portuguesa, na revista lusa <i>O Papagaio</i>, nos anos 30, que mostrava &#8220;Tim-Tim&#8221; como um repórter lusitano, apropriadamente visitando a então colônia portuguesa de Angola.</p>
<p>** Para desespero dos intelectuais europeus, este álbum em particular é <b>de longe </b>o mais popular e apreciado do personagem na própria África. Os africanos demonstrando possuir muito mais senso de humor que seus &#8220;defensores&#8221;&#8230;</p>
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			<media:title type="html">Capa do álbum que gerou toda a polêmica</media:title>
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		<item>
		<title>Palestra com David B.</title>
		<link>http://euroquadrinhos.wordpress.com/2007/06/07/palestra-com-david-b/</link>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2007 22:43:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EuroQuadrinhos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autor]]></category>
		<category><![CDATA[Franco-belga]]></category>

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		<description><![CDATA[Novamente a falta de tempo me fez negligenciar o blog por um período demasiado longo. Tentarei compensar nos próximos dias.
Todo esse tempo de ausência fez com que eu não comentasse uma palestra do artista David B. (pseudônimo de Pierre-François Beauchard) que eu assisti mês passado no Instituto Franco-Português de Lisboa. O autor fora convidado para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=31&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Novamente a falta de tempo me fez negligenciar o blog por um período demasiado longo. Tentarei compensar nos próximos dias.</p>
<p>Todo esse tempo de ausência fez com que eu não comentasse uma palestra do artista <a title="Biografia do autor em inglês" href="http://www.lambiek.net/artists/b/b_david.htm" target="_blank">David B.</a> (pseudônimo de Pierre-François Beauchard) que eu assisti mês passado no <a title="Site do Instituto" href="http://www.ifp-lisboa.com/" target="_blank">Instituto Franco-Português</a> de Lisboa. O autor fora convidado para o <a title="Site do festival" href="http://www.festivalbdbeja.com/" target="_blank">Festival Internacional de BD de Beja</a> e o Instituto, sabiamente, aproveitou sua curta passagem por Lisboa para convidá-lo a dar lá uma palestra.</p>
<p><img src="http://www.pastis.org/Jade/fevrier/angou98/angouleme98-davidB.jpg" alt="Foto do autor. Infelizmente eu não tirei fotos da palestra." width="450" height="323" align="middle" /><br />
David B. foi, junto com outros seis autores,  um dos fundadores da célebre editora francesa <strong>L&#8217;Association</strong> em 1990. A editora revolucionou o mercado francês, introduzindo uma série de formatos e temáticas antes impensáveis na então altamente conservadora indústria de quadrinhos franco-belga.</p>
<p>Dono de um estilo enganadoramente simples, mas capaz de desenhar páginas de composição arrojada e possuidor de um excelente domínio das técnicas do <em>chiaroscuro</em>, o autor virou uma lenda entre os autores de quadrinhos &#8220;alternativos&#8221; ao criar a série <em>L&#8217;Ascension du Haut Mal</em> (que está para ser publicada no Brasil com o título de &#8220;Epiléptico&#8221;, pela editora <a title="Site da editora" href="http://www.conradeditora.com.br/">Conrad</a>), publicada pela L&#8217;Association entre 1996 e 2003, que aborda a relação entre o autor e seu irmão, vítima de epilepsia, de uma forma inovadora, quase onírica. A série foi bastante premiada e traduzida em diversas línguas.</p>
<p><img src="http://www.chapatimystery.com/wp-content/uploads/2006/10/epilepticspread.jpg" alt="Exemplo das belas composições de página de David B." width="400" height="550" align="middle" /><br />
De lá para cá, David B. participou de muitos outros projetos, sozinho ou em parceria com outros autores, como <a title="Site do autor" href="http://www.bulledair.com/blain/" target="_blank">Christophe Blain</a><strong> </strong>(de <em>Isaac o Pirata</em>) e <a title="Site do autor" href="http://www.pastis.org/joann/" target="_blank">Joann Sfar</a><strong> </strong>(<em>O Gato do Rabino</em>). Em 2005 deixou a editora que ajudara a fundar e passou a publicar primordialmente pela nova encarnação da editora <a title="Site da editora" href="http://www.futuropolis.fr/" target="_blank">Futuropolis</a>, onde ainda se encontra.</p>
<p>Apesar de ter ficado famoso por seus trabalhos autobiográficos, David B. já fez uma infinidade de quadrinhos sobre outros temas, em particular falando de seus sonhos surreais, uma grande influência em toda sua obra.</p>
<p>Na palestra, falada em francês, David B. falou sobre todos esses assuntos e diversos outros. Explicou as razões que o levaram a deixar a L&#8217;Association (essencialmente ele rompeu com o cacique da editora, <strong>Jean-Christophe Menu</strong>), falou sobre sua vida e seus projetos. Não vou escrever aqui tudo o que ele falou, mas devo dizer que foi uma palestra assaz interessante.</p>
<p>Vale também adicionar que, caso único entre todas as vezes em que eu assisti palestras de autores de quadrinhos estrangeiros, fosse em festivais ou em eventos pontuais como este, a livraria do Instituto teve o cuidado de trazer e colocar à venda <strong>todos</strong> os trabalhos do autor disponíveis na França! Uma medida aparentemente óbvia, mas que eu nunca vira antes posta em prática! Certamente valeu a pena, já que quase todos os que assistiram a palestra (pouco mais de uma dúzia de pessoas) saíram de lá com um ou mais álbuns recém-comprados nas mãos (eu inclusive). Ouso dizer que esse tipo de boa visão comercial é uma das razões da prosperidade do mercado francês&#8230;</p>
<p>Entre o material que adquiri estão as duas mais recentes obras do autor, publicadas pela Futuropolis, que eu comentarei a seguir:</p>
<p><img src="http://li.an.free.fr/blog/images/2006jardin.jpg" alt="Capa de Le jardin armé et autres histoires" width="350" height="506" align="middle" /><br />
<em>Le jardin armé et autres histoires</em> é uma coleção de três histórias (duas delas serializadas na antiga revista <em>Lapin</em> da L&#8217;Association), que abordam temas ligados à religião e os conflitos criados pelo fanatismo, mas dentro de uma ambientação fantástica e sobrenatural.</p>
<p>Na primeira história, <em>Le prophète voilé</em> (&#8220;O profeta velado&#8221;), um homem tem o rosto coberto por uma misteriosa faixa de tecido e transforma-se no <a title="Leia sobre a obscura figura histórica que inspirou este personagem na Wikipédia em inglês" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Al-Muqanna" target="_blank">profeta velado</a>, um poderoso conquistador e líder religioso que eventualmente desperta a atenção do famoso califa <a title="Leia sobre essa figura histórica na Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Harun_al-Rashid" target="_blank">Harun al-Rashid</a>, que por sua vez precisa descobrir uma forma de destruir este oponente sobrenatural. A segunda história, <em>Le jardin armé</em> (&#8220;O jardim armado&#8221;), mostra um ferreiro da Praga medieval que crê ter visões que o levarão até o Jardim do Éden, rapidamente ele atrai um exército de fanáticos a seu redor e começa a espalhar o caos e a violência pela região. Por fim, na última história, <em>Le tambor amoureux</em> (&#8220;O tambor apaixonado&#8221;), o líder hussita <a title="Leia sobre essa figura histórica na Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jan_Zizka" target="_blank">Jan Zizka</a>, que aparecera na história anterior, morre e seus seguidores criam com sua pele um tambor, cujo toque permite a seu exército vencer todas as batalhas, mas o tambor cai nas mãos de uma jovem, por quem o espírito de Zizka se apaixona.</p>
<p><img src="http://www.coinbd.com/images/planches/20061021013420_t0.jpg" alt="Página de Le prophète voilé" width="465" height="700" align="middle" /><br />
As três histórias são excepcionalmente criativas e cativantes, ajudadas pela bela arte de David B., que retrata com perfeição a magia de seus personagens. Mais que uma história em quadrinhos, este álbum é uma entrada para um mundo onde violência, magia e religião andam de braços dados. E uma das melhores HQs que eu li nos últimos meses.</p>
<p><img src="http://ec1.images-amazon.com/images/I/51TeDXQ6TDL._SS500_.jpg" alt="Capa do primeiro volume de Par les chemins noirs" width="500" height="500" align="middle" /><br />
<em>Par les chemins noirs</em> (&#8220;Por caminhos obscuros&#8221;) é o título da mais recente série de David B., cujo primeiro álbum, entitulado <em>Les Prologues</em> (&#8220;Os prólogos&#8221;) foi recentemente editado na França. Como o título diz, é uma série de &#8220;prólogos&#8221; da saga que o autor pretende contar, ambientada na então cidade iugoslava de <strong>Fiume</strong> (hoje Rijeka, na Croácia) em 1920, quando a cidade, de maioria italiana, foi ocupada militarmente pelo escritor e aventureiro italiano <a title="Leia sobre essa figura histórica na Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriele_d%27Annunzio" target="_blank">Gabriele d&#8217;Annunzio</a>, que tentou criar lá um &#8220;estado livre&#8221;. O álbum mostra a vida de uma série de personagens exóticos (entre eles o próprio poeta), cujos caminhos se cruzam em meio ao caos criado pela ocupação do &#8220;brancaleonesco&#8221; exército de D&#8217;Annunzio.</p>
<p><img src="http://www.bdtheque.com/repupload/G/G_6096_01.JPG" alt="Página de Par les chemins noirs" width="428" height="610" align="middle" /><br />
Necessariamente menos exótico e surreal que as outras obras mencionadas acima, o álbum chama a atenção pela eficiente caracterização dos personagens e o bom humor com que retrata a inusitada situação em que se encontram. Apesar das limitações em trabalhar com uma temática mais realista, a arte de David B. continua bastante eficiente, exibindo ocasionalmente (mas sempre em contexto!) as composições surrealistas que fizeram a fama do autor. Um início promissor para uma série ambiciosa como esta.</p>
<p>Para aqueles que ainda não conhecem o autor e não têm o privilégio de saber francês ou poder assistir uma palestra com ele, eu recomendo adquirirem a edição brasileira de &#8220;Epiléptico&#8221;, que está prestes a ser lançada pela Conrad.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/euroquadrinhos.wordpress.com/31/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/euroquadrinhos.wordpress.com/31/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/euroquadrinhos.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/euroquadrinhos.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/euroquadrinhos.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/euroquadrinhos.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/euroquadrinhos.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/euroquadrinhos.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/euroquadrinhos.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/euroquadrinhos.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/euroquadrinhos.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/euroquadrinhos.wordpress.com/31/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=31&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">EuroQuadrinhos</media:title>
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		<media:content url="http://www.pastis.org/Jade/fevrier/angou98/angouleme98-davidB.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Foto do autor. Infelizmente eu não tirei fotos da palestra.</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://www.chapatimystery.com/wp-content/uploads/2006/10/epilepticspread.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Exemplo das belas composições de página de David B.</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://li.an.free.fr/blog/images/2006jardin.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Capa de Le jardin armé et autres histoires</media:title>
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			<media:title type="html">Página de Le prophète voilé</media:title>
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			<media:title type="html">Capa do primeiro volume de Par les chemins noirs</media:title>
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			<media:title type="html">Página de Par les chemins noirs</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>HQs e política na França &#8211; Conclusão</title>
		<link>http://euroquadrinhos.wordpress.com/2007/05/13/hqs-e-politica-na-franca-conclusao/</link>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2007 02:18:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EuroQuadrinhos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Franco-belga]]></category>

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		<description><![CDATA[A eleição presidencial francesa já passou e, como se esperava, Nicolas Sarkozy é o novo presidente da República Francesa, assumindo o cargo na próxima quarta-feira (16 de maio). Hora das editoras lançarem seus últimos trabalhos sobre o assunto e medirem os resultados.

O grande sucesso da turma foi, sem dúvida, La face kärchée de Sarkozy, que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=28&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A eleição presidencial francesa já passou e, como se esperava, Nicolas Sarkozy é o novo presidente da República Francesa, assumindo o cargo na próxima quarta-feira (16 de maio). Hora das editoras lançarem seus últimos trabalhos sobre o assunto e medirem os resultados.<br />
<img src="http://www.edicionesglenat.es/imagesbd/grandes/291-1.jpg" alt="Edição espanhola da bem sucedida " align="middle" height="356" width="240" /></p>
<p>O grande sucesso da turma foi, sem dúvida, <em>La face kärchée de Sarkozy</em>, que eu mencionei em meu <a href="http://euroquadrinhos.wordpress.com/2007/04/16/hqs-e-politica-na-franca/" title="Link para meu artigo anterior">artigo anterior</a>, que vendeu mais de 200 mil cópias em sua edição francesa, para não falar em uma tradução espanhola que parece ter tido um desempenho razoável. O que impulsionou os autores a escreverem uma continuação, <em>Sarko 1er</em>, que cobre o período eleitoral e será publicada dia 15 de maio, véspera da posse do novo presidente. Para poder terminar o álbum ainda antes da posse, os autores chegaram a fazer duas versões diferentes da capa, para cada um dos candidatos do segundo turno do escrutínio eleitoral gaulês.</p>
<p><img src="http://www.wartmag.com/img/mai07/sarko.jpg" alt="Capa do novo álbum parodiando Sarkozy" align="middle" height="451" width="330" /></p>
<p>Outras HQs publicadas para aproveitar o interesse do público na eleição tiveram um desempenho mais modesto. A dupla <em>Tout sur Sarko/Ségo</em>, que eu igualmente mencionei em meu artigo, vendeu &#8220;apenas&#8221; cerca de 20 mil exemplares cada um (ainda muito acima das vendas médias de um álbum na França, estimadas em 7 mil exemplares).</p>
<p><img src="http://www.wartmag.com/img/mai07/sego.jpg" alt="Capa prevista para caso Ségolène vencesse a eleição presidencial" align="middle" height="450" width="330" /></p>
<p>Todo esse furor de criação de HQs oportunistas sobre a eleição presidencial despertou a curiosidade de muita gente, com algumas reportagens televisivas sobre o assunto chegando até às redes de televisão americanas, que raramente falam sobre quadrinhos! A revista francesa especializada em quadrinhos <em>BoDoï</em> também fez uma reportagem sobre o assunto, com direito a uma curta entrevista com o autor e jornalista <strong>Pierre Christin</strong> (<em>Valerian</em>, <em>A Caçada</em>, <em>Falanges da Ordem Negra</em>), um dos poucos argumentistas franceses com tradição em escrever sobre assuntos políticos.</p>
<p><img src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/05/christin.jpg" alt="Eu e Pierre Christin no último Festival de Angoulême. Não ia perder a chance de mostrar esta foto!" /></p>
<p>Christin afirmou que há pouca gente escrevendo HQs políticas &#8220;de verdade&#8221; e gente demais trabalhando nessas sátiras a Sarkozy e Ségolène. Ele fala com conhecimento de causa, já que alguns de seus trabalhos mais políticos (como <em>A Caçada</em>, obra de ficção ambientada nos bastidores do regime soviético) são bem vendidos até hoje, décadas depois de sua publicação.</p>
<p><img src="http://ec1.images-amazon.com/images/I/51M1D57SNXL._SS500_.jpg" alt="Capa de A Caçada, arte de Enki Bilal" align="middle" height="500" width="500" /></p>
<p>Uma HQ política nova seria o primeiro volume da série <a href="http://yahoo.elyseerepublique.com/" title="Blog da série" target="_blank">Élysée République</a>, de autoria da dupla <strong>Rémy Le Gall</strong>, que, de acordo com a editora, é lobista da indústria de armamentos e antigo alto funcionário do executivo francês, e <strong>Frisco</strong>, que consta ser o pseudônimo de um artista já estabelecido dos quadrinhos franceses.</p>
<p><img src="http://l.yimg.com/eur.yimg.com/i/fr/ne/z/er3.gif" alt="Capa do primeiro álbum da série Élysée République" align="middle" height="399" width="298" /></p>
<p>Prevista como uma série de cinco álbuns (o primeiro foi publicado em fevereiro), Élysée République segue a trajetória de Constant Kérel, honesto deputado francês que quer ser o próximo presidente do país. No primeiro álbum ele descobre um segredo que pode ser fatal para o atual presidente, seu adversário político. Nos álbuns seguintes, o autor pretende acompanhar a caminhada do protagonista rumo à ambicionada presidência. Conseguirá ele manter sua integridade ou terá de abrir mão de seus princípios para poder chegar ao poder?</p>
<p><img src="http://data.magicsquare.be/ouvrages/2203/392/2203392657_1g.jpg" alt="Página de Élysée République" align="middle" height="743" width="549" /></p>
<p>Já existem HQ examinando o tema, em particular o mangá <em>Eagle</em>, de <strong>Kaiji Kawaguchi</strong>, que mostra um candidato nipo-americano tantando chegar à presidência dos Estados Unidos, mas Élysée segue uma linha diferente, a de <em>Largo Winch</em>, mostrando seu protagonista não apenas como um hábil político, mas também como um corajoso homem de ação, tal e qual o herói Largo Winch, cujas tramas misturam ação e os bastidores das altas finanças e inspirou uma infinidade de outros heróis em moldes similares, dos quais Constant Kérel é o mais recente.</p>
<p><img src="http://ec1.images-amazon.com/images/I/510CMHJ0TSL._SS500_.jpg" alt="Capa da edição francesa do mangá Eagle, uma ficção pol�tica mais convencional" align="middle" height="500" width="500" /></p>
<p>Para além das acrobacias de seu protagonista, a série tem sido muito elogiada por sua representação realista (ou ao menos <strong>convincente</strong>) das engrenagens do poder na França.</p>
<p>Voltando um pouco ao presidente eleito da França, Sarkozy fez recentemente uma incomum crítica ao chargista político <strong>Plantu</strong>, que o caricaturou caracterizado como o líder da extrema direita <strong>Jean-Marie Le Pen</strong>. Aparentemente Sarko não gostou da comparação! A resposta do chargista foi, obviamente, satirizar ainda mais o político.</p>
<p><img src="http://www.wartmag.com/img/avril07/sarkozy1.jpg" alt="A caricatura que tirou Sarkozy do sério" align="middle" height="192" width="150" /></p>
<p>A eleição de Sarkozy também provocou um regresso inesperado. Frantico, autor de um polêmico <a href="http://www.zanorg.com/frantico/" target="_blank" title="O famoso blog de Frantico">blog</a> em quadrinhos que foi posteriormente transformado em livro, surpreendera o mundo dos quadrinhos francês no ano passado, quando foi revelado que ele seria nada menos que o célebre autor <a href="http://www.lewistrondheim.com/" title="Site do autor" target="_blank">Lewis Trondheim</a>, maior nome do quadrinho &#8220;alternativo&#8221; francês, trabalhando sob pseudônimo (Trondheim nega, com pouca convicção). Agora &#8220;Frantico&#8221; está de volta, com um novo <a href="http://www.zanorg.com/nicoshark/" title="O novo blog de Frantico" target="_blank">blog</a> em que satiriza Sarkozy, retratando-o como &#8220;Nico Shark&#8221;, retratando-o como o ditatorial diretor de recursos humanos de uma empresa.</p>
<p><img src="http://www.wartmag.com/img/mai07/nicoshark.jpg" align="middle" height="428" width="330" /></p>
<p>(Pessoalmente eu acho crueldade comparar um ser humano com um diretor de recursos humanos&#8230;)</p>
<p>Por fim, um acontecimento ainda mais estranho que serve como prova definitiva da ligação entre quadrinhos e política na França: Um autor de quadrinhos, <strong>Jean-Luc Coudray</strong>, é candidato nas eleições legislativas francesas, a serem realizadas em junho!</p>
<p><img src="http://www.actuabd.com/IMG/jpg/Affiche-JL-Coudray.jpg" alt="Cartaz de propaganda eleitoral de Coudray" align="middle" height="637" width="450" /></p>
<p>Veterano autor de quadrinhos (está no sangue, seu irmão gêmeo <a href="http://www.philippe-coudray.com/" title="Site do autor" target="_blank">Philippe Coudray </a>também trabalha na área!), Jean-Luc Coudray já trabalhou com autores do porte de Trondheim ou <strong>Moebius</strong> e agora é candidato pelo Parti pour la Decroissance (&#8220;Partido do Decrescimento&#8221;), que defende o fim da busca obsessiva pelo crescimento econômico, argumentando que isso tem prejudicado a sociedade e o meio ambiente! Não deixa de ser verdade, muito embora eu pense que o fim desse crescimento não resolva necessariamente esses problemas &#8211; e crie muitos outros!</p>
<p>Antes de sua carreira política, Coudray trabalhou em diversas HQs de sátira política, como <em>Béret et Casquette</em> (&#8220;Boné e Boina&#8221;). É de se imaginar que logo ele terá material para muitas outras&#8230;</p>
<p><img src="http://www.philippe-coudray.com/Grandes%20images/Grands%20albums%20/COUV.%20B%20ET%20C%20ROUGE.jpg" alt="Capa de Béret et Casquette" align="middle" height="637" width="450" /></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/euroquadrinhos.wordpress.com/28/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/euroquadrinhos.wordpress.com/28/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/euroquadrinhos.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/euroquadrinhos.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/euroquadrinhos.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/euroquadrinhos.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/euroquadrinhos.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/euroquadrinhos.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/euroquadrinhos.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/euroquadrinhos.wordpress.com/28/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/euroquadrinhos.wordpress.com/28/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/euroquadrinhos.wordpress.com/28/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=28&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Capa prevista para caso Ségolène vencesse a eleição presidencial</media:title>
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			<media:title type="html">Capa do primeiro álbum da série Élysée République</media:title>
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			<media:title type="html">Página de Élysée République</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>José Aguiar no Centro de Cultura França-Alemanha de Niterói</title>
		<link>http://euroquadrinhos.wordpress.com/2007/05/09/jose-aguiar-no-centro-de-cultura-franca-alemanha-de-niteroi/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2007 00:07:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EuroQuadrinhos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autor]]></category>
		<category><![CDATA[Evento]]></category>

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		<description><![CDATA[Andei muito ocupado esses últimos dias para poder atualizar o blog. Mea culpa, vou tentar compensar o melhor que puder. Primeiro divulgando um evento que está rolando na cidade de Niterói (RJ).
Bom amigo meu e artista de grande talento, o curitibano José Aguiar é um dos raros artistas brasileiros de quadrinhos trabalhando no exigente mercado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=20&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Andei muito ocupado esses últimos dias para poder atualizar o blog. <em>Mea culpa</em>, vou tentar compensar o melhor que puder. Primeiro divulgando um evento que está rolando na cidade de Niterói (RJ).</p>
<p>Bom amigo meu e artista de grande talento, o curitibano <a target="_blank" href="http://www.joseaguiar.com/" title="Site do artista">José Aguiar</a> é um dos raros artistas brasileiros de quadrinhos trabalhando no exigente mercado europeu. Depois de ter feito diversos trabalhos para o mercado brasileiro (incluindo uma participação na &#8220;reformulação&#8221; do super-herói curitibano <em>O Gralha</em>), Aguiar, em parceria com o também brasileiro <a target="_blank" href="http://www.wanderantunes.com/" title="Site do autor">Wander Antunes</a>, publicou pela editora suiça <a target="_blank" href="http://www.paquet.li/" title="Site da editora">Paquet</a> dois álbuns da série policial <em>Ernie Adams</em>.</p>
<p><img align="middle" src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/05/aguiar_ernieadamscovers.jpg" alt="Capas dos dois álbuns de Ernie Adams" /></p>
<p>A série não foi um grande sucesso (é complicado uma série de uma editora pequena se destacar em um mercado com mais de <strong>3000</strong> lançamentos de quadrinhos por ano&#8230;), mas foi o bastante para Aguiar, na altura morando na Alemanha, fazer uma pequena turnê de lançamento por França e Suiça.</p>
<p><img align="middle" src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/05/09_06_034.jpg" alt="Aguiar autografando seus trabalhos em uma loja de quadrinhos suiça" /></p>
<p>Durante a turnê, ele aproveitou para colocar no papel suas impressões do Velho Continente, prática bastante comum para os artistas europeus em viagem pelo mundo, que Aguiar &#8220;inverteu&#8221; fazendo ele próprio uma série de ilustrações da pitoresca Europa.</p>
<p><img align="middle" src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/05/topffer_casa1.jpg" alt="Aguiar junto à antiga residência de Rodolphe Töpffer, o “inventor” dos quadrinhos!" /></p>
<p>De volta ao Brasil, fez a exposição Reisetagebuch &#8211; Uma Viagem Ilustrada pela Alemanha, na qual exibiu suas ilustrações, e uma HQ autobiográfica publicada na revista <em>Omelete</em>, do <a target="_blank" href="http://www.omelete.com.br/" title="Link para o site Omelete">website homônimo</a>, do qual nós dois somos colaboradores de longa data.</p>
<p><img align="middle" width="603" src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/05/hq_omelete_p04_.jpg" alt="Página da HQ de Aguiar no Omelete, mostrando as peripécias do casal Aguiar em Paris" height="787" /></p>
<p>(Incidentalmente, seu Aguiar, quase todos os parisienses <strong>sabem</strong> inglês, apenas se recusam a falar nessa língua! Mas eles falam em inglês se você tentar falar com eles em francês e não conseguir, por estranho que pareça. Esses franceses são loucos!)</p>
<p>O plano de Aguiar é fazer um livro misturando suas ilustrações, quadrinhos e textos falando sobre suas experiências na Europa, um tipo de trabalho muito difundido no Velho Continente, mas praticamente inexistente no Brasil, ao menos na vertente de quadrinhos.</p>
<p>A exposição Viajando em Quadrinhos pela França e Alemanha, que reune esses trabalhos com páginas produzidas para <em>Ernie Adams</em>, abre hoje no <a target="_blank" href="http://www.aliancafrancesa-niteroi.com.br/" title="Site da instituição">Centro de Cultura França Alemanha</a>, em Niterói, com a presença do autor. O Centro de Cultura fica na Estrada Francisco da Cruz Nunes, 6266, Oásis Shopping Center, Piratininga, Niterói-RJ, e abre de segunda a sexta-feira, das 13h às 21 horas e sábados das 8h às 12 horas. Vão lá e digam que Hunter os mandou, que vão poder entrar sem pagar! Bem, na verdade vão poder entrar de graça até sem falar nada, porque a entrada é franca&#8230;</p>
<p><img src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/05/aguiar_ernieadams4.jpg" alt="Dinâmica página de Ernie Adams, t�pica das que estarão na exposição" /></p>
<p>A exposição fica até o fim do mês. Se estiverem nas proximidades, visitem-na!</p>
<p><img src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/05/aguiarboneli_03_copy.jpg" alt="Página de teste de Aguiar com Dylan Dog. Não tem nada a ver com a exposição, mas eu não podia deixar de postar isso!" /></p>
<p>Enquanto ninguém se anima a publicar esse projeto no Brasil (e se você é um editor de quadrinhos, está lendo isso e ainda não entrou em contato com o Aguiar para publicá-lo, qual é o seu problema afinal?), Aguiar continua seu trabalho para a Paquet, desta vez colaborando na coletânea <em>Flying Doctors</em>, um álbum coletivo em homenagem à ONG <a target="_blank" href="http://www.amref.fr/" title="Site da organização">AMREF</a>, que presta ajuda médica a comunidades africanas isoladas utilizando aviões. O álbum será publicado na coleção <a target="_blank" href="http://cockpit.paquet.li/" title="Site da coleção">Cockpit</a> da editora, dedicada a histórias de aviação, e será escrito por <strong>Régis Hautière</strong>, com arte de 10 artistas de diversas nacionalidades, entre eles Aguiar. O título do álbum será <em>Un jour de mai</em> (&#8220;Um dia de maio&#8221;).</p>
<p><img align="middle" src="http://euroquadrinhos.files.wordpress.com/2007/05/p31preview.jpg" alt="Página de Un jour de mai de autoria de Aguiar, que mostra sua habilidade como desenhista “técnico”" /></p>
<p>É uma pena que alguém como José Aguiar precise ir até a Europa para conseguir publicar seus trabalhos. Resta esperar que um dia o mercado brasileiro esteja sólido o suficiente para que talentos como ele possam publicar no próprio país!</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/euroquadrinhos.wordpress.com/20/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/euroquadrinhos.wordpress.com/20/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/euroquadrinhos.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/euroquadrinhos.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/euroquadrinhos.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/euroquadrinhos.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/euroquadrinhos.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/euroquadrinhos.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/euroquadrinhos.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/euroquadrinhos.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/euroquadrinhos.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/euroquadrinhos.wordpress.com/20/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=20&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">EuroQuadrinhos</media:title>
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			<media:title type="html">Capas dos dois álbuns de Ernie Adams</media:title>
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			<media:title type="html">Aguiar autografando seus trabalhos em uma loja de quadrinhos suiça</media:title>
		</media:content>

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			<media:title type="html">Aguiar junto à antiga residência de Rodolphe Töpffer, o “inventor” dos quadrinhos!</media:title>
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			<media:title type="html">Página da HQ de Aguiar no Omelete, mostrando as peripécias do casal Aguiar em Paris</media:title>
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			<media:title type="html">Dinâmica página de Ernie Adams, t�pica das que estarão na exposição</media:title>
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		<title>Grandes revistas em quadrinhos &#8211; 2000 AD</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Apr 2007 02:30:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>EuroQuadrinhos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comic]]></category>
		<category><![CDATA[Revista]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode parecer estranho depois de minha defesa apaixonada das livrarias como o futuro das HQs, mas eu sou grande apreciador das revistas em quadrinhos de banca. Em particular as antologias em estilo europeu, de formato grande e com várias séries, que sabem aproveitar as poucas páginas que têm (em geral não mais de meia dúzia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=euroquadrinhos.wordpress.com&blog=767966&post=19&subd=euroquadrinhos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Pode parecer estranho depois de minha defesa apaixonada das livrarias como o futuro das HQs, mas eu sou grande apreciador das revistas em quadrinhos de banca. Em particular as antologias em estilo europeu, de formato grande e com várias séries, que sabem aproveitar as poucas páginas que têm (em geral não mais de meia dúzia por edição!) para contar uma história da forma mais direta e enxuta possível.</p>
<p>A Inglaterra tem uma grande tradição em revistas desse tipo, contando até com aquela que é (até onde meu limitado conhecimento chega) a mais antiga revista em quadrinhos do mundo: <a href="http://www.dandy.com/index.php" title="Site da revista" target="_blank">Dandy</a>, publicada semanalmente desde 4 de dezembro de 1937! Em comparação, a<a href="http://www.2000adonline.com/" title="Site da revista e publicações relacionadas" target="_blank"> 2000 AD</a> é muito mais recente (publicada pela primeira vez em 26 de fevereiro de 1977, ela comemorou seu 30º aniversário apenas há poucos meses), mas sua importância mais do que excede os seus comparativamente poucos anos de existência.</p>
<p>2000 AD foi a herdeira direta da revista <a href="http://www.sevenpennynightmare.co.uk/" title="Leia mais sobre esta revista" target="_blank">Action</a>, uma revista de vida curta criada em 1976. Os criadores da <em>Action</em> foram a célebre dupla <strong>Pat Mills</strong> e <strong>John Wagner</strong>, que antes tinham criado o violento gibi de guerra <em>Battle Picture Weekly</em>. O sucesso deste levou Mills e Wagner a criarem uma publicação ainda <strong>mais</strong> violenta e amoral, a <em>Action</em>. Porém eles haviam passado da conta, a conservadora sociedade inglesa da época (não que hoje esteja <em>muito</em> melhor&#8230;) não podia tolerar uma revista assim e a <em>Action</em> foi corrida das bancas poucos meses depois. Ela acabou voltando, em uma versão mais &#8220;pasteurizada&#8221;, poucas semanas depois, mas essa nova encarnação não agradou os leitores e foi cancelada no ano seguinte.</p>
<p>Nesse meio tempo, Mills e Wagner criaram um segundo semanário, no estilo da <em>Action</em> (tendo aprendido com esta quais os limites que não deveriam ser excedidos&#8230;) e usando muitos dos mesmos criadores, mas com uma temática de Ficção Científica e ressuscitando um dos grandes clássicos da FC quadrinística britânica, <a href="http://www.dandare.org/index.htm" title="Site sobre o personagem">Dan Dare</a>, antiga estrela da mais famosa revista em quadrinhos inglesa de todos os tempos, a <em>Eagle</em> (1950-1970). Esta encarnação do personagem, porém, não teve grande sucesso, o que colocou as outras HQs da revista em maior evidência.</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/covers/2000ad/hires/1.jpg" alt="Capa da primeira edição da 2000 AD" align="middle" height="811" width="650" /></p>
<p>Fazendo companhia ao tradicional Dan Dare, uma série de HQs que definitivamente nunca teriam sido publicadas na tradicional Eagle: <em>Invasion</em> (violenta HQ de guerra que mostrava uma Inglaterra ocupada por uma potência estrangeira, o grande diferencial era seu protagonista, o brutal e vingativo <strong>Bill Savage</strong>), <em>M.A.C.H.1</em> (mais convencional das séries novas &#8211; e maior sucesso da revista até a ascensão do <em>Juiz Dredd</em> &#8211; era basicamente uma cópia barata do <em>Homem de seis milhões de dólares</em>), <em>Harlem Heroes</em> (série esportiva futurista descaradamente inspirada nos <em>Harlem Globetrotters</em>) e a alucinada <em>Flesh</em> (mais perturbada das séries originais, partia do conceito de que no futuro a superpopulação acabara com a criação de animais de corte e a única alternativa para vender carne a uma faminta sociedade futurista era voltando no tempo para caçar dinossauros, o que teria sido a <strong>verdadeira</strong> causa da extinção dos bicharocos!).</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/covers/scans/hires/4.jpg" alt="A insana série Flesh, arte de Kevin O'Neil" align="middle" height="896" width="650" /></p>
<p>Porém foi no segundo número da 2000 AD que surgiu o personagem que se tornaria o maior sucesso da revista e a imagem que vem à mente da maioria das pessoas quando se fala na revista, o Juiz Dredd!</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/images/page/dredd.jpg" alt="O Juiz Dredd em todo seu explendor" align="middle" height="350" width="230" /></p>
<p>Homem da lei de uma sociedade fascista futurista, Dredd é juiz, júri e executor, tendo autoridade para decidir (e executar) as penalidades judiciárias sobre todo aquele que quebrar uma das muitas leis que governam a cidade. Conceito genial, que permite contar um sem número de histórias, desde simples <em>thrillers</em> de ação, passando por sátiras político-sociais, até sofisticadas críticas ao totalitarismo, o personagem criado pelo escritor <strong>John Wagner</strong> e o desenhista espanhol <strong>Carlos Ezquerra</strong> (que ainda hoje trabalham na série!) logo se tornou o personagem mais popular da revista, posição que mantém até hoje. Seu sucesso determinou ainda a criação de uma revista mensal dedicada, a Judge Dredd Megazine, publicada até hoje, e diversas outras publicações de vida mais curta. Inúmeras outras séries ambientadas no universo de Dredd surgem regularmente na <em>2000 AD</em> e na <em>Judge Dredd Megazine</em>, algumas fazendo bastante sucesso!</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/images/artwork/ThePitWars.jpg" alt="Explosiva sequência de Dredd assinada por seu co-criador Carlos Ezquerra" align="middle" height="677" width="609" /></p>
<p>Para além de Wagner e Ezquerra, diversos criadores se destacaram na criação das aventuras de Dredd, em particular o desenhista <strong>Brian Bolland</strong>, que deve boa parte de seu sucesso ao magnífico trabalho que fez no personagem. Hoje ele raramente faz trabalhos para a revista, foraocasionais capas.</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/covers/usreprints/hires/edredd6.jpg" alt="Magn�fica capa de Brian Bolland" align="middle" height="757" width="488" /></p>
<p>Apesar de diversas tentativas de publicação, Dredd nunca conseguiu se tornar popular no Brasil. Como é que uma alegoria para justiça a todo custo não consegue se estabelecer em um país em que boa parte das pessoas gostaria de ver a lei reprimindo o crime com a brutalidade de um Juiz Dredd é algo incompreensível, mas eu atribuo isso à falta de visão das editoras que o publicaram. Praticamente apenas as histórias curtas de Dredd saíram no Brasil, e quase todas elas têm um tom de paródia mais acentuado. Mas o personagem se tornou popular em seu país de origem devido às megasagas de centenas de páginas que se desenrolavam por meses na 2000 AD. Nessas tramas mais complexas é possível constatar que o personagem é muito mais do que a sátira unidimensional que pode parecer àqueles que conhecem apenas as histórias curtas! Juiz Dredd <strong>tem</strong> continuidade &#8211; e uma bastante rica até! Eu acho que a próxima editora a tentar publicá-lo no Brasil (vai acontecer algum dia, é inevitável&#8230;) deveria tentar traduzir alguma das sagas mais longas, ao invés de ficar só no material curto. É mais arriscado, eu sei, mas é a melhor chance do personagem emplacar!</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/covers/graphicnovels/hires/totalwar.jpg" alt="Capa do TPB de Total War, uma das melhores megasagas recentes de Juiz Dredd" align="middle" height="900" width="650" /></p>
<p>Mas 2000 AD não é só Dredd! Diversos outros personagens e séries marcaram as páginas da revista ao longo dos anos. Eis alguns destaques:</p>
<p><em>Rogue Trooper</em> é uma série de guerra futurista ambientada em Nu Earth (corruptela de <em>New Earth</em> &#8211; &#8220;Nova Terra&#8221;) um planeta destruído pelo interminável conflito entre duas facções, os Nortistas e os Sulistas. Fruto de uma experiência genética sulista, <strong>Rogue</strong> é um G.I. (<em>Genetic Infantryman</em> &#8211; &#8220;Infante Genético&#8221;), um entre vários humanóides artificiais criados em laboratório para sobreviver ao ambiente hostil do pleneta arrasado. Porém a traição de um general corrupto levou à morte de seus companheiros. Foragido e considerado traidor por seus compatriotas, Rogue carrega a consciência de seus falecidos amigos em biochips especiais inseridos em sua arma, mochila e capacete, percorrendo o terreno inóspito de Nu Earth em sua infindável busca pelo general traidor, enquanto é caçado por ambos os lados!</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/images/page/rogue.jpg" alt="Rogue Trooper" align="middle" height="350" width="230" /></p>
<p>Criação do veterano escritor <strong>Gerry Finley-Day</strong> e do desenhista <strong>Dave Gibbons</strong> (que ganhou fama por seu trabalho na série), Rogue Trooper era uma eficiente crítica à guerra e ao belicismo. Sua caça ao &#8220;general traidor&#8221; cativou os leitores durante anos a fio, com Finley-Day e seus diversos artistas desfilando uma série de reviravoltas a cada passo do caminho, chegando até a ser mais popular do que Dredd!</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/covers/2000ad/hires/228.jpg" alt="Primeira e mais clássica capa de Gibbons para Rogue Trooper" align="middle" height="768" width="613" /></p>
<p>Porém, logo após Rogue encontrar o general traidor, Finley-Day, um dos últimos escritores &#8220;profissionais&#8221; dos quadrinhos (ou seja, um escritor que trabalhava em HQs não por ser fã da mídia em si, mas por não ter encontrado outro trabalho) se <strong>aposentou</strong>, deixando sua criação órfã. Com sua trama principal resolvida, a série ficou sem direção e acabou deixando de publicada durante um bom tempo, até que o jovem escritor <strong>Gordon Rennie</strong> (uma das novas estrelas da 2000 AD) &#8220;ressuscitou&#8221;o personagem, criando novas aventuras ambientadas durante a caçada original ao general traidor.</p>
<p>Não foi a primeira vez que a 2000 AD voltou a publicar histórias de um personagem considerado finalizado usando o bastante óbvio expediente de ambientá-las no passado. A primeira vez fora com outra criação de Wagner e Ezquerra, <em>Strontium Dog</em>.</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/images/page/stront.jpg" alt="O caçador de recompensas Johnny Alpha, astro de Strontium Dog" align="middle" height="296" width="230" /></p>
<p>Criado para a revista <em>Starlord</em>, uma das várias revistas de FC de vida curta criadas após a 2000 AD na tentativa de atingir o mesmo público, Strontium Dog se passava em um futuro após um conflito nuclear que contaminou a Terra com uma infinidade de elementos radioativos, entre eles o Estrôncio (Strontium), gerando uma série de mutações nos seres humanos. Esses mutantes foram segregados pelo resto da humanidade, tendo que sobreviver como criminosos ou caçadores de recompensas. Johnny Alpha é um deles, um mutante com olhos que emitem &#8220;ondas alfa&#8221; que o permitem ver através de paredes e manipular objetos, entre outros superpoderes. Um homem honrado em um ambiente corrupto, Johnny e seu parceiro Wulf Sternhammer são apenas dois entre os caçadores de recompensas conhecidos como os &#8220;Strontium Dogs&#8221;.</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/covers/scans/hires/553.jpg" alt="Johnny Alpha desenhado por Ezquerra" align="middle" height="890" width="650" /></p>
<p>A popularidade do personagem permitiu que ele sobrevivesse ao cancelamento da <em>Starlord</em> e passasse para o elenco da 2000 AD, onde eventualmente se tornou o segundo personagem mais popular depois do Juiz Dredd. John Wagner e <strong>Alan Grant</strong> se alternam nos roteiros até hoje, com o incansável Carlos Ezquerra como principal artista (quando não está desenhando Dredd!). Curiosamente, tal e qual <em>Rogue Trooper</em>, a série &#8220;acabou&#8221; uns anos atrás e as aventuras atuais são &#8220;flashbacks&#8221; do período de caçador de recompensas de Johnny Alpha! Outro exemplo de como o final de uma série não significa necessariamente o fim de novas histórias (as HQs americanas fariam bem em aprender essa lição!). Como <em>Juiz Dredd</em>, <em>Strontium Dog</em> também gerou diversas outras séries estreladas por personagens do mesmo universo.<br />
<img src="http://www.2000adonline.com/images/page/durham.jpg" alt="Durham Red, coadjuvante de Strontium Dog e estrela de uma série spinoff" align="middle" height="422" width="230" /></p>
<p>Outra HQ que fez a transição da <em>Starlord</em> para a <em>2000 AD</em> foi <em>Ro-Busters</em>, série humorística criada por Pat Mills e estrelada por dois robôs de segunda mão, Ro-Jaws e Hammerstein (os nomes são &#8220;homenagem&#8221; à dupla de compositores britânicos Rogers e Hammerstein), que são salvos do desmanche para fazerem parte de uma equipe especializada em resgate, os Ro-Busters. Essa série teve sucesso mediano, mas quando Mills trocou o foco das aventuras para o tempo em que a dupla era parte de um grupo especial de soldados-robôs, os <em>A.B.C. Warriors</em>, a série rapidamente se tornou um dos hits da revista.</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/covers/graphicnovels/hires/dcmekseven.jpg" alt="Hammerstein, o protagonista de A.B.C. Warriors. Sim, ele aparece no filme do Juiz Dredd!" align="middle" height="908" width="650" /></p>
<p>Parte do sucesso se deveu sem dúvida à arte da série, assinada por talentos do calibre de <strong>Kevin O&#8217;Neil</strong>, <strong>Brendan McCarthy</strong>, <strong>Simon Bisley</strong> e outros talentos, que complementaram habilmente os roteiros afiados de Mills. Atualmente a sérieé desenhada por <strong>Clint Langley</strong>, que faz uma espetacular combinação de montagens fotográficas com desenhos que dá à arte um realismo insperado nesse tipo de trabalho, sem sacrificar o dinamismo essencial para uma boa HQ.</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/covers/2000ad/hires/1519.jpg" alt="Hammerstein por Clint Langley. Sim, arte interior também é assim!" align="middle" height="854" width="650" /></p>
<p>Outra criação de Mills é o celta <em>Sláine</em>. Uma das raras séries de fantasia da 2000 AD, Slaine é estrelada pelo guerreiro celta <strong>Sláine Mac Roth</strong>, uma espécie de Conan ambientado na mitologia celta. Desenhado originalmente por <strong>Angie Kincaid</strong> (ex-esposa de Mills), o celta foi depois desenhado por uma constelação de grandes artista, entre eles <strong>Glenn Fabry</strong>, <strong>Bryan Talbot</strong> e especialmente <strong>Simon Bisley</strong>, que desenhou sua história mais popular, <em>The Horned God</em> (já publicada no Brasil).</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/covers/2000ad/hires/698.jpg" alt="Slaine desenhado por Bisley" align="middle" height="768" width="566" /></p>
<p>A série continua até hoje, apesar de ter perdido popularidade durante os anos 90, criticada pelo &#8220;excesso de misticismo barato&#8221;. O artista atual da série é novamente Clint Langley.</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/covers/graphicnovels/hires/invasions1.jpg" alt="Capa de Langley para Sláine" align="middle" height="916" width="650" /></p>
<p>Por fim, temos minha favorita pessoal entre as séries mais recentes, <em>Nikolai Dante</em>. Ambientada em uma Rússia czarista futurista, a série é protagonizada por um malandro charmoso e descolado, que se envolve nas intrigas políticas da corte czarista ao tomar posse inadvertidamente de uma arma simbiótica alienígena, que lhe dá, entre outras coisas, o poder de produzir lâminas cyberorgânicas no corpo. Mas o que ele quer mesmo é diversão, bebida e mulheres!</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/images/page/nikolai.jpg" alt="Nikolai Dante na bela arte de Simon Fraser" align="middle" height="403" width="230" /></p>
<p>Criado pelo escritor <strong>Robbie Morrison</strong> e o talentoso artista <strong>Simon Fraser</strong>, Dante obteve um sucesso inesperado devido à sua combinação de humor escrachado, intriga sofisticada e drama pessoal com doses de erotismo e sensualidade raramente vistas na revista.</p>
<p><img src="http://www.2000adonline.com/covers/graphicnovels/hires/nikolai.jpg" alt="Espetacular capa de Fraser para um dos TPBs de Nikolai Dante" align="middle" height="876" width="625" /></p>
<p>Certamente a mais &#8220;europeia&#8221; (continental, no caso) das HQs da 2000 AD, a série ainda é desenhada por Fraser até hoje, alternando com o mais tradicional <strong>John Burns</strong>, um dos últimos representantes da arte tradicional dos quadrinhos britânicos.<img src="http://www.2000adonline.com/covers/2000ad/hires/1487.jpg" alt="Exemplo da arte mais tradicional de John Burns em Nikolai Dante" align="middle" height="854" width="650" /></p>
<p>Apesar de um rol de personagens incrível como este (e eu citei apenas uns poucos exemplos, há muitos mais de onde estes vieram!), a 2000 AD teve a mesma carreira atribulada de outras revistas britânicas. Particularmente após o espetacular fracasso do filme do Juiz Dredd, que criou uma imagem errônea do personagem na mente do público, a 2000 AD atravessou um sério período de crise nos anos 90. Boa parte dos criadores originais, incluindo a insubstituível dupla Pat Mills e John Wagner, se afastara da revista e seus substitutos (Garth Ennis, Mark Millar e outros autores de segunda categoria que eventualmente fariam sucesso nos EUA após fracassarem no mercado britânico) não se mostraram à altura. Porém a aquisição da revista pela empresa de videogames <strong>Rebellion</strong> deu novo gás à publicação, promovendo o regresso dos autores clássicos e o surgimento de uma nova geração de criadores, que substituiu aqueles que fracassaram nos anos 90. A recente publicação de numerosas encadernações republicando séries de sucesso da revista também ajudou, levando o material da 2000 AD até o público das livrarias e lojas de quadrinhos.</p>
<p>Apesar de seu ano de batismo já ter passado há um bom tempo, a 2000 AD continua em frente. Ela é publicada toda semana na Inglaterra (exceto por três semanas dedezembro, quando uma edição anual gigante a substitui nas bancas), tem 32 páginas em formato magazine e papel razoável (o LWC mais simples que se pode imaginar, usado até na capa!), com impressão apenas decente o bastante para reproduzir nesse papel as séries pintadas mais complexa. A revista é colorida, embora haja quase sempre alguma série P&amp;B sendo serializada nela. Cada edição contém em média 5 histórias de 5-6 páginas cada. Custa razoáveis £ 1,75. Há também duas revistas derivadas, a <em>Judge Dredd Megazine</em> (mensal, com mais páginas e histórias mais longas, ambientadas geralmente no universo do Juiz Dredd) e a <em>2000 AD Extreme</em> (bimestral, republica histórias antigas que ainda não saíram em encadernações, geralmente material mais obscuro).</p>
<p>A revista chegou a ser publicada no Brasil pela Ebal, em edições iguais às inglesas! Alguns dos seus personagens, como Juiz Dredd, Slaine e Zênite, receberam publicações ocasionais no Brasil, mas nunca conseguiram realmente se firmar. Em Portugal, ela é quase completamente desconhecida, embora a edição inglesa possa ser encontrada em alguns pontos de venda. Considerando a quantidade de HQs norte-americanas publicadas em português, é incompreensível que a maior parte do material da 2000 AD nunca tenha sido traduzido até hoje! Vale notar que foi de lá que saíram muitos dos autores que eventualmente fizeram sucesso nos comics americanos, como <strong>Alan Moore</strong>, <strong>Dave Gibbons</strong>, <strong>Grant Morrison</strong>, <strong>Kevin O&#8217;Neil</strong>, <strong>Brian Bolland </strong>e muitos, muitos outros!</p>
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			<media:title type="html">EuroQuadrinhos</media:title>
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			<media:title type="html">Capa da primeira edição da 2000 AD</media:title>
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			<media:title type="html">A insana série Flesh, arte de Kevin O'Neil</media:title>
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			<media:title type="html">O Juiz Dredd em todo seu explendor</media:title>
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			<media:title type="html">Explosiva sequência de Dredd assinada por seu co-criador Carlos Ezquerra</media:title>
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			<media:title type="html">Magn�fica capa de Brian Bolland</media:title>
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			<media:title type="html">Capa do TPB de Total War, uma das melhores megasagas recentes de Juiz Dredd</media:title>
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			<media:title type="html">Rogue Trooper</media:title>
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			<media:title type="html">Primeira e mais clássica capa de Gibbons para Rogue Trooper</media:title>
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			<media:title type="html">O caçador de recompensas Johnny Alpha, astro de Strontium Dog</media:title>
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			<media:title type="html">Johnny Alpha desenhado por Ezquerra</media:title>
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			<media:title type="html">Durham Red, coadjuvante de Strontium Dog e estrela de uma série spinoff</media:title>
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			<media:title type="html">Hammerstein, o protagonista de A.B.C. Warriors. Sim, ele aparece no filme do Juiz Dredd!</media:title>
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			<media:title type="html">Hammerstein por Clint Langley. Sim, arte interior também é assim!</media:title>
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			<media:title type="html">Slaine desenhado por Bisley</media:title>
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			<media:title type="html">Capa de Langley para Sláine</media:title>
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			<media:title type="html">Nikolai Dante na bela arte de Simon Fraser</media:title>
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			<media:title type="html">Espetacular capa de Fraser para um dos TPBs de Nikolai Dante</media:title>
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			<media:title type="html">Exemplo da arte mais tradicional de John Burns em Nikolai Dante</media:title>
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